Barra Cofina

Correio da Manhã

Opinião
5
24 de Julho de 2005 às 00:00
O anúncio da compra de parte do capital da TVI pelo grupo espanhol Prisa é a notícia da semana em matéria de televisão. Talvez, até, o facto do ano. Trata-se de um grande negócio que prova a forma brilhante como os actuais responsáveis da estação conseguiram virar a empresa, de uma situação de quase pré-falência à disputa da liderança das audiências e da fatia maior do apetecido mercado publicitário.
O facto de serem espanhóis – e logo da Prisa, que detém títulos tão prestigiados como o ‘El País’ – demonstra, ainda, como o trabalho de recuperação da TVI ultrapassou os limites das nossas fronteiras. O arranque da estação de Queluz não foi mais do que um equívoco tremendo, por parte dos responsáveis da Igreja, que acreditavam piamente que lhes bastaria pegar no modelo da Rádio Renascença – Emissora Católica Portuguesa – e transformá-lo numa televisão. Evidentemente que depressa se percebeu o beco sem saída em que o canal se encontrava.
A entrada de José Eduardo Moniz veio revolucionar tudo. A Programação e a Informação. A primeira medida foi a mudança de atitude. Só uma estação agressiva, com espírito ganhador, poderia ousar lançar-se numa política de produção de telenovelas e de ‘reality-shows’ que a lançasse numa competição directa com a RTP e a SIC. Moniz arriscou tudo. A compra de parte do capital pela Prisa pode significar, ainda, que os espanhóis poderão estar interessados numa estratégica ibérica de comunicação. É preciso não esquecer que este mesmo grupo tentou – sem sucesso – adquirir a Lusomundo Media.
Negócios são negócios e neles não há espaço para atitudes sentimentais. Miguel Pais do Amaral (que vai continuar, ao que tudo indica, no Conselho de Administração da Media Capital) disse um dia – e cito-o de cor – que as televisões servem para vender publicidade. Claro que, para venderem publicidade, precisam de audiências. Neste momento, com a TVI cheia de anúncios e a lutar pela liderança das audiências, Pais do Amaral terá realizado um dos mais apetitosos negócios da sua vida. Moniz serviu-o com a competência que se reconhece. Daqui para a frente, todos os cenários são possíveis para a estação de Queluz de Baixo.
Seja qual for o futuro, parece quase inevitável que se comece a pensar no negócio dos Media (e da TV em particular) a uma escala um pouco mais ampla. O mercado ibérico é um primeiro passo. Será que Moniz “habla” espanhol?
Ver comentários
Newsletter Diária Resumo das principais notícias do dia, de Portugal e do Mundo. (Enviada diariamente, às 9h e às 18h)