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Correio da Manhã

Opinião
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Armando Esteves Pereira

Especulação cimentada

A Cimpor arrisca-se a ser a próxima grande empresa portuguesa a perder o centro de decisão nacional. Se os brasileiros da CSN subirem o valor da proposta ontem apresentada têm grandes hipóteses de conquistar o maior grupo industrial português.

Armando Esteves Pereira(armandoestevespereira@cmjornal.pt) 19 de Dezembro de 2009 às 00:30

A Cimpor é uma excelente empresa mas que tem um problema: a profunda divisão accionista. As guerras internas da Cimpor são quase uma réplica dos confrontos que sofreu o BCP e os protagonistas dos bastidores são praticamente os mesmos.

A família Teixeira Duarte e Manuel Fino são os empresários nacionais com maior participação financeira na Cimpor, sendo que problemas de liquidez obrigaram M. Fino a ceder, num negócio polémico, parte das acções à Caixa Geral de Depósitos. Estes accionistas não se entendem, o que cria uma oportunidade para um grupo internacional.

Se não forem os brasileiros da CSN serão os franceses da Lafarge. Joe Berardo, que também tem alguns milhões de acções da cimenteira, comentou, no seu modo peculiar: "A OPA é bem-vinda mas o preço é muito baixo." E muitos investidores partilham este estado de espírito. Uma das tragédias portuguesas é que neste país o perfil dominante dos empresários é o dos especuladores financeiros, em vez dos raros capitães de indústria, que criam riqueza e empregos.

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