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Correio da Manhã

Opinião
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Piloto morre em corrida de motos no Estoril

Armando Esteves Pereira

Especulação com prémio

Uma das causas da pobreza portuguesa é a escassez de verdadeiros industriais entre os grandes empresários. Portugal sempre foi mais um país de especuladores do que de patrões de indústria. E não é por acaso que as grandes fábricas actuais desde a agonizante Qimonda, à Autoeuropa, ou os pneus Continental, são de capital estrangeiro.

Armando Esteves Pereira(armandoestevespereira@cmjornal.pt) 18 de Fevereiro de 2009 às 00:30

E, pelo que se vê agora, na ressaca do crash bolsista, é que os bancos também preferiram a especulação ao tecido produtivo. Os empréstimos concedidos ao núcleo duro de empresários que reforçaram as acções no BCP e que agora não têm capacidade de honrar os compromissos com os títulos a afundarem para 72 cêntimos são ilustrativos deste paradigma. Curiosamente, as guerras accionistas pelo BCP também envolviam a Cimpor. E a queda das acções da maior cimenteira nacional foi ajudada pela fragilidade dos dois principais accionistas, Teixeira Duarte e Manuel Fino, ambos endividados e accionistas de referência do banco fundado por Jardim Gonçalves.

Manuel Fino, patrão da Soares da Costa, vendeu esta semana quase metade da sua participação na Cimpor à Caixa Geral de Depósitos. O negócio rendeu 306 milhões. Fino fica com uma opção de recompra, mas a Caixa pagou por cada acção da cimenteira mais 25 % do que a cotação do dia. Um rico prémio.

 

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