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Correio da Manhã

Opinião
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10 de Novembro de 2004 às 01:37
Mário Soares, há uns meses, Miguel Veiga, esta semana, vieram “alertar” para uma possível (?) candidatura do primeiro-ministro à presidência da República.
A apetência presidencial de Pedro Santana Lopes é conhecida. Ao candidatar-se a Lisboa, houve quem de imediato comparasse o percurso de Santana Lopes ao de Jorge Sampaio que durante o seu segundo mandato na câmara da capital, acabou por concorrer à presidência da República.
Mas o contexto mudou. Durão Barroso, ao fim de dois anos de Governo, deixou-se requisitar para voos europeus e Santana Lopes assumiu o Governo.
Considerar que Santana Lopes pode ser candidato presidencial, implica admitir a nomeação de novo primeiro-ministro que conduza o país até às eleições legislativas de 2006. Em quatro anos, o país conheceria a impressionante média de três chefes de Governo!
Se o anúncio de uma candidatura presidencial de Santana Lopes tivesse lugar antes dos últimos seis do mandato do presidente da República, Jorge Sampaio poderia ainda dissolver o parlamento e convocar legislativas antecipadas. Se o anúncio dessa candidatura fosse feito já no último semestre do mandato presidencial, restaria a Jorge Sampaio indicar novo primeiro-ministro dentro do actual quadro parlamentar, cabendo ao futuro Presidente da República a responsabilidade pela evolução posterior.
Para um País que segue na cauda da Europa, com cerca de 20% da população a viver no limiar da pobreza e que manifesta reiterados desequilíbrios sociais e orçamentais, os cenários de trocas sucessivas de primeiros--ministros, em função de apetências por outros cargos, soa a desrespeito e irresponsabilidade.
Como se explicaria aos portugueses mais sacrificados pelos tempos que vamos vivendo que a estabilidade política, tida como indispensável, é, afinal, um instrumento como qualquer outro, manipulado com arte por quem detém o poder?
Não acredito, portanto, depois da saída de Durão Barroso, que Santana Lopes pudesse equacionar uma candidatura presidencial
Para que a dúvida formulada pelo antigo Presidente da República e pelo dirigente do PSD, Miguel Veiga, não se transforme em agressiva bola de neve, seria útil que o congresso do PSD, no próximo fim-de-semana, tirasse o tapete à especulação presidencial em torno de Santana Lopes.
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