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Correio da Manhã

Opinião
3 de Abril de 2009 às 09:00

Quando as esperanças se esgotam há o encontro com a fragilidade humana. Diversas reacções são possíveis, uma vez que não se pode fingir que nada se passa. As diversas reacções traduzem o nível e a qualidade da fé. O crente reage recorrendo a tudo porque a fragilidade é um facto com o qual não se pode meramente conviver. Por vezes mistifica-se a experiência, tenta-se uma fuga impossível ou desencadeiam-se séries de lamentações agressivas, deplorações ou acusações. Não faltam sequer atitudes de negação do fenómeno ou de resignação. Aos poucos, vai-se dando conta que a debilidade não interpretada ou não acolhida degenera em confusão e desespero. É atacada a esperança. Procura-se uma palavra que não funcione como saída de segurança, mas transforme a crise e os obstáculos em oportunidade. O sofrimento põe rudemente à prova a esperança.

Experiências fortes de dor tornam difícil o espaço para o racional, absorvem a capacidade humana para enfrentar a realidade e fica apenas o choro, o desespero ou a luta, seja de que modo for, contra a dor. Nada vale recorrer a teorias. A experiência humana ultrapassa argumentações. Mas não podemos demitir-nos de focar adequadamente essas experiências dolorosas, uma vez que deixadas à solta podem conduzir à destruição do ser. Como a dor se faz, por vezes, insuportável, pode ser vivida com uma visão negativa e estéril, geradora do sentimento do absurdo. Esta atitude faz desenvolver na alma paixões que perturbam: medo, angústia, cólera, revolta, desespero. A doença, vivida assim, é pena perdida e torna--se fonte de decadência espiritual que afecta o corpo.

A perda da saúde conduz o ser humano a interrogar-se sobre os fundamentos da sua existência. Além da preocupação com as causas naturais do sofrimento e com os meios para lhe encontrar remédio, o crente procura a significação positiva da doença no quadro da relação com Deus, no caminho da salvação. As capelanias hospitalares são expressão de uma esperança alargada, ampla, alta. Conduzem a uma conversão, a uma mudança de mentalidade e de coração.

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