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Correio da Manhã

Opinião
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6 de Junho de 2006 às 00:00
Poderá ser minucioso para quem puxa, doloroso para quem é puxado mas, tirando esses dois, é uma sessão que não interessa a ninguém. Num ginásio nunca vi alguém parar para olhar uma sessão de alongamentos. Ontem, em Gutersloh, havia onze pares de tipos assim, onze puxando por outros onze. Onze sensaborias?
Ontem, em Gutersloh, havia milhares de pessoas eufóricas com onze sessões de alongamentos. No relvado, gestos lentos, cada futebolista cuidando de um colega, silenciosos. Nas bancadas, à cunha, era o delírio. Isso foi assim com os artistas paradinhos de todo. Calculem o que foi quando estes começaram a fazer coisas...
O grupo dividiu-se em dois, uns atacando, outro defendendo. Figo ia marcar um canto e o seu aproximar da multidão era como o descer de avião dos Beatles na primeira digressão pela América. Pauleta, de cabeça atirava à barra – era o extâse na bancada.
Cristiano Ronaldo fazia as pernas multiplicarem-se pela bola que nem era tocada e as mulheres olhavam para o marido, dizendo que sim, elas tinham percebido, enfim, a magia do futebol.
Ontem, a selecção soube o que era o estado de graça. Que peso deve ser para simples homens que precisam de quem lhes puxe os músculos.
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