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Correio da Manhã

Opinião
18 de Maio de 2003 às 01:56
O Eurostat oficializou uma dura realidade: os portugueses, de uma forma geral, produzem pouco no trabalho, normalmente abaixo de metade da média europeia. O descalabro assume proporções alarmantes na indústria transformadora, no comércio a retalho, na restauração, na hotelaria e nos serviços, mas a ele escapam com brilho dois sectores: as telecomunicações e os correios. Ora, em vez de carpir mágoas por culpas que são de todos os trabalhadores, sejam eles empregados ou patrões, estejam no âmbito do Estado ou da iniciativa privada, os portugueses deveriam reagir com brio a este trabalho do organismo europeu de estatísticas. Se somos concorrenciais em sectores de ponta, ligados às novas tecnologias, é óbvio que somos capazes de vencer outros desafios. É tudo uma questão de escola, de actualização permanente, de disciplina, de organização, de investimento e, também, de justa retribuição. No fundo, de vontade. Do somatório de todas as vontades individuais, ainda hoje menos pesadas do que o somatório de indigências várias. O Estado tem de assumir as suas responsabilidades ao nível da escola e da Função Pública, mas organismos sindicais e associações patronais não podem fingir que a culpa é apenas dos outros. Não é. O País somos todos nós e vale o que todos juntos valemos, de Lisboa a Felgueiras. E, por enquanto, pese a História, valemos menos que gostaríamos.
Felgueiras, pois. Acontecimentos deprimentes e desprestigiantes. Pode compreender-se a estima e a solidariedade de uma parte da população em relação à ex-autarca, mas é triste ver, já no século XXI, a manipulação, o caciquismo e a alienação em estado puro, à solta numa parcela do País. O PS em geral e Jorge Coelho em particular bem se podem orgulhar do que aconteceu na noite de sexta--feira, depois da procissão das velas. Foi o estilo caça ao voto, que não quis ouvir Barros Moura, o responsável pelo fenómeno Fátima, uma “mártir” com nome da terra que a ama e por ela se presta a tudo, desde duvidar da Justiça a agredir quem desalinha da irresponsabilidade. Ao pé disto, o recorrente exemplo da Madeira, sempre ao lado de Jardim contra o Tribunal de Contas e outras minudências do sistema democrático, surge, afinal, como um espaço de profunda compreensão pelas ideias dos outros. Défice democrático? Não! É Portugal no seu melhor a dar razão à recente “gaffe” do presidente alemão.
Francisco Assis teve coragem e dignidade. Mostrou ser um político com dimensão. Não é fácil manter a calma na situação que todo o País pôde ver. O futuro irá recompensá-lo, certamente, dentro e fora do partido, depois do destino o ter escolhido para expiar as culpas dos socialistas em Felgueiras.
Cavaco Silva não gosta de falar nas Presidenciais, mas diz (especialmente a Durão Barroso) que a ele ninguém o cala; Mário Soares não tem estado a falar de outra coisa, mas diz que não se deve falar do assunto. Santana ameaça Marcelo, mas é este quem ataca, demolidor, sem receio de polémicas, enquanto o presidente da Câmara despede os “boys” da JSD, que apoiam Cavaco. Para a semana há mais.
Miguel Cadilhe diz, ao ‘Expresso’, que está “firme que nem uma rocha” na presidência da Agência Portuguesa de Investimento, apesar das divergências com Manuela Ferreira Leite quanto à política de controlo orçamental “versus” investimento, ou seja, quanto ao combate à recessão. Pesem boas opiniões em sentido contrário, Cadilhe pode e deve manter-se no cargo. O que disse não é incompatível com o exercício das funções, pelo menos por enquanto. E, acima de tudo, o País precisa de gente com estatuto e independência para assumir divergências por dentro. Mesmo que não tenha razão.
Um ano antes do Euro’2004, os nossos sub-17 voltaram a ser campeões europeus. Quarta-feira, o FC Porto entra em campo pela Taça UEFA. São bons sinais de um sector muito competitivo e que pode ajudar o País a ser mais feliz, como se viu ontem em Viseu. Parabéns aos rapazes e à FPF, boa sorte ao FC Porto.
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