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Correio da Manhã

Opinião
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Piloto morre em corrida de motos no Estoril

Armando Esteves Pereira

Estradas tiram Saúde

Há uma estranha correlação entre os melhoramentos rodoviários e os cortes nos serviços públicos de Saúde. Se há melhores estradas há redução dos cuidados prestados aos cidadãos.

Armando Esteves Pereira(armandoestevespereira@cmjornal.pt) 28 de Dezembro de 2007 às 00:00
É o que acontece em Trás-os-Montes, de Chaves à Régua, passando por Vila Pouca de Aguiar, Murça e Alijó. Chaves, uma das mais importantes cidades da região, graças à A24 ficou mais perto de Vila Real e do Porto. Mas a satisfação pela nova via contraria a natural preocupação de quem vê fechar o bloco de partos.
Há uma lógica contabilística de redução dos custos de Saúde que torna o Interior ainda mais desprotegido. Nas aldeias do Alto Douro, do Nordeste trasmontano, da Beira ou Alentejo, os idosos que ficam estão cada vez mais longe dos médicos. As sedes de concelho perdem valências que as dignificavam, vão-se tornando elas próprias novas aldeias. Curiosamente, um ministro do distrito de Viseu e um primeiro-ministro registado em Vilar de Maçada e com ligações à Covilhã ficam associados a este desmantelamento do Estado no Interior.
Portugal vai-se tornado uma pequena faixa no Litoral, com as capitais do Interior a servirem de fortalezas da população minoritária que resiste em ficar. Quem vive nas aldeias e pequenas vilas está condenado a mandar os filhos estudar longe ou a ir de ambulância para as Urgências cada vez mais distantes. Mas as estradas são, realmente, melhores.
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