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Correio da Manhã

Opinião
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3 de Abril de 2009 às 00:30

O Plano Obama para recuperação da confiança nos mercados financeiros dos EUA desespoletou alguns sinais positivos, não obstante o profundo debate técnico e político que continua a suscitar. Por outro lado, o apelo da Administração americana à cooperação multilateral retira espaço e oxigénio às derivas proteccionistas que nos ameaçam.

O eventual sucesso do Plano Obama não radicará, no entanto, na tecnicidade das medidas propostas. Planos de ambição similar como o Plano Paulson ficaram muito aquém do efeito desejado e analistas consagrados como o Nobel da Economia Paul Krugman prevêem destino igual para o Plano Obama.

O que poderá fazer a diferença entre o sucesso do Plano Obama e o fracasso relativo dos seus antecessores são os valores de cooperação, equidade e ética nele incorporados. É a política na sua asserção mais nobre.

A crise global resulta de uma crise de confiança nas instituições, na regulação e na ética negocial dos actores do mercado. Uma crise de confiança reforçada pelas práticas escandalosas de criação de riqueza virtual para os mercados e de riqueza real para os seus ‘gurus’.

A trave mestra do Plano Obama não é o volume de dinheiro injectado na captura de produtos "tóxicos" alojados na banca.

Essa operação só é importante porque foi acompanhada de sinais corajosos de combate aos ganhos indevidos, de promoção da transparência corporativa e de uma escolha de novas áreas de investimento como as energias renováveis, as redes de nova geração, a Educação e a Saúde, que prefiguram uma agenda de modernidade global, progressista e equitativa.

A ética é a chave da solução. Uma chave difícil, fragilizada por décadas de políticas egoístas e sem valores. Mas é uma chave eficaz com a qual temos de ter a coragem de libertar quanto antes as forças da mudança global regulada e baseada em valores firmes e partilhados.

 

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