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Correio da Manhã

Opinião
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19 de Maio de 2004 às 00:00
As notícias centram-se frequentemente na denúncia do que vai mal e nos presumíveis responsáveis. À porta do que é notícia ficam outros factos e acontecimentos que por terem um carácter positivo são vistos como normais e, por isso, insusceptíveis de mobilizar o interesse dos consumidores de informação.
À custa de tanto se promover a notícia do que não vai bem, cria-se a sensação de que tudo vai mal. As notícias positivas tornam-se anormais, porque raras, no actual panorama informativo. Não é um fenómeno exclusivamente português. Mas, em Portugal, os media continuam, neste aspecto, muito agarrados a definições tradicionais. Já noutros casos, o critério usado é mais generoso e liberal, classificando e exibindo como notícia factos que há uns anos atrás se encontrariam apenas na correspondência privada de familiares e amigos!
Certos hábitos e costumes degradaram-se (ou, pelo menos, habituámo-nos a pensar que assim aconteceu) e vai-se insinuando a ideia de que não há alternativas a essa degradação – na vida política, social, económica.
Contrariando a maré, a Associação Cristã de Empresários e Gestores (ACEGE) veio dizer que a ética deve ser assumida como critério empresarial.
Trata-se, defende a ACEGE, de pôr em prática na empresa, a mesma ética da vida privada. E é através da ética pessoal de quem integra e representa a empresa que as próprias empresas ganham (ou perdem) o seu carácter ético.
No código de ética que agora se propõe, os empresários cristãos reafirmam, por exemplo, o seu compromisso activo na luta contra a corrupção e a fraude fiscal, obrigando-se a cumprir todas as suas obrigações fiscais, tanto no plano empresarial, como – note-se – na esfera pessoal.
A defesa das pessoas mais frágeis, a oferta de condições de trabalho que respeitem a dignidade e a saúde de quem trabalha, o combate ao abuso de poder, a procura da justiça social e o respeito e a promoção do projecto de vida dos colaboradores da empresa são outros pontos desenvolvidos neste código, ainda em fase de discussão pública.
No conturbado mundo dos negócios, pautado pela competitividade e pelos ratios da eficácia, é possível e necessário encarar a ética como exigência e desafio; não como empecilho ou mero faz-de-conta.
Perfilam-se no horizonte nacional algumas operações empresariais de reconhecida importância e delicadeza. Vale a pena rodeá-las de todos os cuidados – e a ética não é o menor deles.
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