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Correio da Manhã

Opinião
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28 de Outubro de 2012 às 01:00

‘Avenida Brasil’ agradou por ter acção, suspense, uma portentosa interpretação de Adriana Esteves, na velhaca ‘Carminha’, e em especial por representar no ecrã a emergente classe média brasileira, mais de 10 milhões de pessoas que saíram da pobreza.

Ao invés do que sucede em Portugal, a Globo acompanha e encomenda estudos académicos para fazer melhor TV popular. Conheci uns especialistas em semiótica, a ciência dos signos, contratados para estudar a nova classe média através da análise dos objectos que centenas de ex-pobres de quatro grandes cidades tinham nas estantes das salas. As pessoas mentem, mas as estantes não: as fotos, bibelots, livros e outros bens revelaram valores e aspirações que, dado o rápido aparecimento dessa classe, eram desconhecidos. Deixaram de o ser: a novela mostrou-os. O realismo permitiu a identificação dos ex-pobres com personagens e narrativa. Quase metade dos brasileiros assistiu ao derradeiro episódio.

Não serei estragadão, revelando o final. Mas digo que, num folhetim, o desfecho é irrelevante. Tanto assim, que se gravaram vários finais de ‘Avenida Brasil’, prática comum no Brasil e em Portugal: se o fim da narrativa duma novela fosse importante, isso não faria sentido. Alguns brasileiros com quem falei ficaram desapontados com o final. Na verdade, é um pouco atabalhoado. Enquanto no decurso das novelas o tempo passa quase à velocidade do nosso quotidiano, naquele final correu veloz, cobrindo um tempo imenso, contrariando a natureza do folhetim. Fios narrativos ficaram por completar. Um ou outro terminou de forma forçada, até absurda.

As novelas não acabam quando a narrativa a tal conduz, mas quando, por motivos económicos ou profissionais (duração dos contratos, níveis de audiência, etc.) é preciso que acabem. Todavia, o final de uma novela vale principalmente por fechar um ciclo de vida, não da sua trama, mas dos espectadores. Num folhetim, conta o dia-a-dia, a implicação do espectador com personagens e suas peripécias. O final apenas anuncia o começo de novo ciclo de vida do espectador interessado, o começo de uma nova telenovela: ‘Salve Jorge’, o novo folhetim da Globo, estreou dois dias depois.

A VER VAMOS

ESCÂNDALO SEXUAL SAVILE: O PODER DOS MEDIA TAMBÉM CORROMPE

Se o poder corrompe, também corrompe sexualmente. Depravações e crimes sexuais de poderosos enchem livros de pequena História, ficção, séries, filmes e documentários. Segundo Suetónio, o imperador Tibério, há 2000 anos, treinava rapazinhos, a quem chamava os seus "peixinhos", para o perseguirem no mar e o "lamberem e mordiscarem entre as pernas". E abusava de bebés, fazendo-os "chuchar no peito e virilhas". O caso Savile, estrela da BBC que abusou de 300 menores no Reino Unido, mostra duas coisas: que os poderosos dos media são poderosos como os outros; e que gente da BBC e instituições públicas protegeu ou escondeu o que sabia da depravação pedofilizante de Saville. Nada, porém, que desconheçamos em Portugal. 

JÁ AGORA

NÃO PODIA ESTAR MAIS DE ACORDO

Pedro Pinto, jornalista-apresentador da CNN, disse à Correio TV: na TV "em Portugal as pessoas não querem fazer coisas novas, não querem melhorar. As mesmas pessoas querem fazer as mesmas coisas da mesma maneira". "Arrisca-se muito pouco." Não se quer "pesquisar e dizer aquilo que realmente acontece." Da esquerda à direita, quem manda nos nossos media é conservador. 

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