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Correio da Manhã

Opinião
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Maria de Belém Roseira

Execução orçamental

Começará agora o Governo a perceber que a estratégia que seguiu na condução da sua política falhou redondamente.

Maria de Belém Roseira 28 de Setembro de 2013 às 01:00

Primeiro, chegou ao poder por meio de promessas que esqueceu rapidamente e isso descredibilizou-o de imediato.

Segundo, o Primeiro-Ministro prometeu na sua tomada de posse que nunca iria invocar o passado para se desculpar e não tem feito outra coisa, diretamente ou por interposta pessoa.

Terceiro, o ritmo de consolidação orçamental previsto no programa foi acelerado, em vez de travado, face ao agravamento do contexto europeu e internacional entretanto ocorrido.

Quarto, por inexperiência e incompetência pura, desenhou uma orgânica de Governo que introduziu incongruências na Administração e paralisia na decisão.

Quinto, apostou numa estratégia de divisão e de confronto, não só com os partidos da oposição e com as instituições mas, sobretudo, com os portugueses, num momento em que tudo aconselharia a que estivéssemos unidos.

Sexto, desvalorizou os símbolos e as instituições que tecem a cidadania e a coesão social.

Sétimo, esqueceu-se que os mercados que tanto idolatrou não têm alma nem afetos e, consequentemente, querem resultados económicos e financeiros que o Governo não é capaz de apresentar.

Poderia continuar, mas os erros apontados são já suficientes para demonstrar que os últimos dados da execução orçamental mais não são do que sua consequência. O Governo encontra-se, pois, só, até porque a saída de Vítor Gaspar e a crise política de julho constituíram um golpe irreparável na relação de confiança com os credores. O despique eleitoralista com o PS impediu-o de construir um entendimento em termos de política europeia que permitisse uma frente comum para enfrentar de forma estruturada os problemas de negociação.

Com as instituições, esqueceu-se, ainda, que teria sido essencial invocar, à partida, a inconstitucionalidade de algumas medidas sugeridas pela Troika para que elas nunca constassem do Programa de Ajustamento, até porque são socialmente injustas e economicamente recessivas. Ao eleger como seu programa de Governo o programa da Troika, o Primeiro-Ministro afastou-se dos Portugueses e nem conseguiu aproximar-se dos credores.

Governo promessas política
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