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Correio da Manhã

Opinião
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13 de Maio de 2003 às 00:00
1. Não há muita coisa no futebol que me irrite, mas uma expulsão injusta, confesso, obriga-me a um esforço extra de autocontrolo. Acho que fiquei assim desde que um tal de Batta expulsou Rui Costa num célebre Alemanha-Portugal. Dois dias depois do Belenenses-Benfica, pensar naquele segundo cartão amarelo a Tiago ainda me põe mal-disposto. Como lembrava muito bem António Simões, director-geral da SAD do Benfica, o bom senso deve sobrepor-se à aplicação cega das leis de jogo. Sobretudo quando elas são, logo à partida, de difícil compreensão. Por que motivo precisará um jogador da autorização do árbitro para entrar quando está junto ao quarto árbitro e este lhe diz que pode ir?! Naquela altura batia-se um pontapé de baliza, não havia forma de a reentrada de Tiago influenciar o jogo e percebia-se sem dificuldade que a camisola era vermelha. O árbitro preferiu aplicar a lei sem pensar a salvar o jogo. Esta opção diz muito sobre o futebol português. O observador deve ter dado uma nota excelente a Elmano, os espectadores perderam a oportunidade de continuar a ver o futebol delicioso de Tiago e para a semana ele corre o risco de ficar na bancada. Tudo porque lhe rasgaram a camisola e nem falta o árbitro apitou.
2. Até Sevilha, alguém devia ter o poder de dispensar o FC Porto dos jogos nacionais. Até porque a equipa já não anda por cá. A cidade fatigou-se em frente às bilheteiras, os jogadores aproveitaram para deixar que a felicidade de ser campeão os preenchesse. Bem vistas as coisas, perder em Paços de Ferreira nem é assim tão surpreendente.
3. O Vitória de Setúbal tinha tudo para dar certo. Dois bons guarda-redes, uma defesa aparentemente sólida, um meio-campo seguro e boas opções na frente. No entanto, a três jornadas do fim ninguém acredita que os sadinos não passem o próximo ano na II Liga. As explicações para tão inesperado desastre são complexas e provavelmente só quem viveu por dentro este ano poderá dá-las.Uma coisa é certa: os jogadores têm qualidade, talvez valha a pena começar por procurar primeiro em outro lado.
4. A pergunta é simples: pode alguém que não é capaz de vencer fora manter-se na SuperLiga? Vamos precisar de mais três jornadas para saber. Com João Alves ou Artur Jorge, o drama da Académica é o mesmo. A equipa anda muito razoavelmente em casa, engasga sempre que atravessa o Mondego. Apenas 9 golos marcados longe de Coimbra. Pior só o Marítimo (7), um clássico nesta coisa de não conseguir render longe dos adeptos.
5. As contas da descida ficaram um pouco mais simples: agora são quatro para três cadeiras. Quem for mais rápido pode ficar de pé e continuar entre os amigos maiores. Desde que as vitórias valem três pontos, só uma vez uma equipa (D. Chaves) com 35 pontos desceu e no ano passado o Varzim salvou-se com 32. Assim sendo, restam Santa Clara, Beira-Mar, Académica e o inevitável V. Setúbal. E já não haverá jogos entre este quarteto.
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