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Correio da Manhã

Opinião
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João Vaz

Fábrica de cretinos

Após nove, 11 ou mais anos de escola, os jovens passam ao mercado de trabalho sem um mínimo de capacidades.

João Vaz 2 de Março de 2010 às 00:30

A ideia de a escola, o ensino e a aprendizagem constituírem um elevador social para os desfavorecidos está a ser aniquilada pela actual crise. Em menos de vinte anos, Bill Gates, Steve Jobs e Paul Alen não deixaram de estar entre os mais ricos do Mundo, mas já se destaca mais o seu sentido de negócio do que a sua paixão pelo conhecimento e a inovação, capazes de mudar o Mundo. As legiões de jovens com diplomas, mas sem emprego, reduzem os bilionários das novas tecnologias a uma espécie de clube de premiados do Euromilhões. Já nem se vê claramente que aprendizagem contribui para o seu êxito. Talvez passar o tempo a dedilhar nos jogos de consola até ajude mais do que uma sólida preparação académica. E entre um curso superior e a passagem por um qualquer reality show o segundo é de certeza melhor porta para fazer carreira. De resto, o primeiro-ministro italiano, Silvio Berlusconi, não é o único líder que adora recrutar caras bonitas para a política entre as assistentes mais despidas dos programas de TV.

O problema é grave. Na semana passada, um jornal britânico registava que o desemprego não cessa de aumentar entre os recém-licenciados. Há sempre os sobredotados e superapoiados que vão directo ao topo depois de saírem de Harvard, Yale, Oxford ou Cambridge, mas a desilusão reina nas grandes massas de diplomados aviados pelas universidades públicas e privadas sem prestígio. Dois números chocavam no ‘Sunday Times’: uma em cada cinco pessoas em idade de trabalhar não tem emprego; dos 1,7 milhões de empregos criados desde 1997 no Reino Unido 81% pertencem a estrangeiros.

Poder-se-ia pensar num declínio de civilização. Instalados na sua subsídiodependência, os britânicos já não teriam ambição e capacidade para singrar. A observação dos factos leva porém a outras pistas: após nove, 11 ou mais anos de escola, os jovens passam ao mercado de trabalho sem um mínimo de capacidades. Pior, nem sequer revelam interesse pelo trabalho. Num recrutamento, 52 candidatos foram chamados a uma entrevista. Mais de metade chegaram atrasados, 12 não traziam nada com que pudessem tomar notas para resolver um problema e os três seleccionados ficaram sem emprego em menos de seis meses por incompetência e falta de empenho.

Fica evidente que as escolas estão a falhar na sua função. Fabricam cretinos em vez de homens livres, capazes de fazer progredir as sociedades em que se inserem. Com esta Educação, não há hipóteses de um mundo melhor. Nem de uma vida melhor.

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