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Correio da Manhã

Opinião
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Francisco Moita Flores

Façam filhos, caraças!

Estamos perante um problema singelo. Fazer filhos. Ao que julgo saber entregue ao livre arbítrio dos cidadãos.

Francisco Moita Flores 13 de Fevereiro de 2006 às 17:00
Pronto! Estou embasbacado, quase sem voz. Num encontro sobre demografia em Portugal e na União Europeia realizado em Lisboa durante a semana passada, a deputada Edite Estrela revelou a falta de produtividade no que respeita ao nascimento de mais portugueses. Se não fossem os imigrantes, isto estava pelas ruas da amargura. A malta não está pelos ajustes e, por isso, em vez de nos situarmos no índice ideal de 2,1, em termos de renovação populacional, andamos pelo 1,47. Ora, isto tem graves e sequenciais problemas em todas as áreas de crescimento do País, nomeadamente no campo da economia, na renovação do tecido social e, até, na estruturação da família e, sublinhe-se, no pudor nacional.
Estamos perante um problema singelo. Fazer filhos. Ao que julgo saber entregue ao livre arbítrio dos cidadãos e sem ninguém poder contar com a força do Estado nem com fundos comunitários para a função. Ou dito em forma de pergunta, por que é que chegámos a este estado? Que a produtividade no País é baixa todos sabemos, que os salários são uma miséria ninguém duvida, que as telenovelas se estendem até altas horas desfazendo entusiasmos que o sono vence também estamos de acordo, mas será só isto?
Ora, é sabido que Portugal ganhou estatuto de garanhão de coxa rija no concerto das nações. Que muito turismo que por aqui passa se deve mais aos atributos do Zezé Camarinha do que às virtudes do sol algarvio. Que nada de suspeito se levantou historicamente contra o entusiasmo luso no que respeita ao sexo puro e duro. Quase ninguém duvida (sobretudo os portugueses) que ali taco a taco com os italianos lideramos a Europa no que respeita à produção de garanhões, machos e misóginos. Mas afinal o que se passa com o homem português? Deixou de gostar daquilo? São as mulheres que não querem? Ai, ai, ai, será que há muita malta a passar-se para o outro lado? ZeZé! Zezé Camarinha! Ajuda o Governo, pá! Já ninguém faz filhos e tu és a grande esperança de revitalização da economia, pá! O pessoal está nas encolhas e precisa de líderes fortes, pá! Chegou a tua vez, pá. Dá o corpo ao manifesto e acabas com medalha no peito no Dia da Raça.
Não se percebe. Portugal não engravida e não existe um levantamento nacional?! O País com as melhores escolas da Europa, com o melhor serviço médico e pediátrico, com o melhor apoio social e a maior justiça social recusa-se a parir filhos segundo as suas necessidades. Só pode ser um golpe do poderoso lóbi das farmácias. Pílulas contraceptivas à borla, preservativos a eito, procurando por esta via revolucionária, de inspiração peronista, acabar com a venda de produtos farmacêuticos nas grandes superfícies. Não é apenas um golpe de Estado. É uma heresia. Não diz a Bíblia ‘crescei e multiplicai-vos’? Espera-se que o um teólogo venha pôr a clarinho o que significa ‘mutiplicai-vos’, mas não duvido que isto é heresia a precisar que se reacendam velhas fogueiras. Entretanto, sigam o meu conselho: a Pátria precisa de todos os homens e mulheres capazes na cama. Desliguem o televisor e sirvam a Pátria. Claro, se houver futebol, a coisa pode ficar para mais tarde, mas, por favor, sirvam a Pátria! É a nossa maior batalha depois de Aljubarrota!
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