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Correio da Manhã

Opinião
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Piloto morre em corrida de motos no Estoril

Armando Esteves Pereira

Façam lá o novo aeroporto

A opção mais razoável é avançar para a Ota e gerir o dinheiro dos contribuintes de forma transparente.

Armando Esteves Pereira(armandoestevespereira@cmjornal.pt) 6 de Maio de 2007 às 00:00
Os portugueses não gostam de grandes obras públicas quando são anunciadas. Criticam os objectivos, os milhões gastos, mas são estes mesmos portugueses que depois aplaudem a obra feita. Basta lembrar o que aconteceu com o Centro Cultural de Belém, Expo, ponte Vasco da Gama e até com o túnel do Marquês, que após tantas críticas justificadas foi alvo de uma invasão popular no dia da inauguração. A questão de um novo aeroporto é mais do que uma obra faraónica.
Portugal precisa mesmo de uma nova infra-estrutura, porque a Portela vai rebentar pelas costuras antes de 2017. O mercado de aviação está a crescer a um ritmo acelerado. A indústria voos low cost atraiu novos turistas e a entidade que gere os aeroportos nacionais, a ANA, já tem de recusar milhares de voos por ano. Cada voo recusado significa algumas dezenas de turistas que deixam de vir. E cada turista recusado é menos receita que fica em Portugal. Perdem os hotéis, os restaurantes e todos os outros serviços que dependem da indústria de maior valor acrescentado gerado neste País.
São legítimas as dúvidas sobre se a Ota será o melhor local, assim como são justificados os receios face ao desperdício dos dinheiros dos contribuintes, tão comum nos empreendimentos públicos em Portugal. Mas qualquer pessoa de bom senso percebe a importância de um novo aeroporto. E quanto a este ponto todos os estudos técnicos credíveis apontam para essa necessidade.
O MOTOR DA RETOMA
Além da necessidade urgente de um novo aeroporto, o Governo de José Sócrates tem um argumento importante para avançar para a Ota: o dinamismo económico. O único motor da economia tem sido a exportação. O investimento sofreu uma quebra que diminui a contribuição da procura interna para a retoma. Com a Ota aumentaria automaticamente o investimento, o emprego e fontes do Governo acreditam que Portugal entraria rapidamente numa taxa de crescimento do PIB de 3% ao ano, o que significa uma retoma mais robusta.
Marques Mendes continua a lançar a operação anti-OTA como um desígnio de oposição e descobriu o Poceirão, uma localização que agradaria certamente à Lusoponte, a concessionária das ligações rodoviárias de Lisboa para a margem Sul. Os ecologistas já chumbaram também esta opção e após tantos anos de projectos e o chumbo do Rio Frio, a história do Poceirão parece tirada da cartola. Eu, que não sou engenheiro, também olho para a Ota e Poceirão e vejo que o terreno da margem sul é mais plano, mas as opções políticas têm de ser validadas por critérios técnicos e de bom senso e não por palpites pouco credíveis.
Se houvesse um destino ideal já tinha sido descoberto, mas esta opção não existe e actualmente a Ota tem a vantagem de ser o local com mais avanços em termos de estudos de impacte ambiental e o único onde poderá ser concluído um aeroporto sem penalização para a economia portuguesa. Por isso, a opção mais razoável é avançar para a Ota e gerir o dinheiro dos contribuintes de forma transparente.
NOVA SUBIDA DOS JUROS
Os portugueses com empréstimo à banca que tenham a sua prestação actualizada este mês já vão sentir a nova subida dos juros, porque os bancos já anteciparam os próximos aumentos do preço do dinheiro a decidir pelo BCE. O banco JP Morgan aponta para que na Europa os juros subam ainda três vezes este ano para 4,5% e a UBS aposta em subidas para os 4,75 ao longo de 2007.
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