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Correio da Manhã

Opinião
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Francisco Moita Flores

Face Oculta

Esperança é aquilo que não abunda neste território meio circo meio ficção onde o PSD caminha.

Francisco Moita Flores 1 de Novembro de 2009 às 09:00

O PSD continua amargurado, incapaz de viver fora de um circuito fechado em que dirigentes atrás de dirigentes se envolvem em disputas, formações de correntes de opinião, jogos de poder que não têm em conta aquilo que é o País. O balde de água fria veio esta semana. Afinal, Paulo Rangel não é candidato de perceber que a vitória nas Europeias não significava uma alteração da correlação de forças no País. Foi um vitória que agora parece ficção, pois era evidente para quem olhou para os enormes números da abstenção que existiam mais de dois milhões de portugueses, eleitores habituais, que não tinham ido votar. Mais: dois milhões zangados com a política do Governo de Sócrates que queriam castigá-lo mas que se recusavam a votar contra ele.

Sócrates percebeu esta abstenção. Portas percebeu-a melhor do que ninguém e fez, de longe, a melhor campanha eleitoral. O povo percebeu a mudança do primeiro e o discurso do segundo, e premiou-os. Os tais dois milhões foram votar, deram a vitória a Sócrates e fizeram disparar os votos no CDS-PP. O PSD ficou a discutir a asfixia democrática. As autárquicas também não foram famosas, com uma perda significativa de autarquias, embora ainda mantenha a maioria, e entrou no já mais do que visto circo de quem é quem, quem será quem, num processo de autofagia desastroso. O Rangel, bom retórico, mas sem chama, desiste. Chegou a vez, dizem eles, de Marcelo Rebelo de Sousa. Eu diria que chegou outra vez, pois já foi líder, zangou--se, demitiu-se e foi fazer comentário político onde deveras é brilhante. Pelas redacções distribuem-se nomes de figuras poderosas, ou pretensamente poderosas, que apoiam a sua candidatura. E não admira. Continuam sem perceber o País onde estamos. É que a ruptura geracional que o PS fez, que o Bloco de Esquerda representa, que o CDS-PP fez com algum sofrimento, o PSD continua incapaz de o fazer, olhando com saudosismo para velhas glórias, reformados, pensionistas da política que já tiveram o seu tempo e já não têm mais nada para dar.

Esta forjada e manipulada vaga de fundo vai ter um preço caro. E não vale a pena escamotear com discursos de influência a verdade sociológica da actual vida política. Quem vota, e vive e labuta, quer nova aragem, novas ideias, novos projectos que integrem esperança. E esperança é aquilo que não abunda neste território meio circo meio ficção onde o PSD caminha para maiores clausuras.

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