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Correio da Manhã

Opinião
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Eduardo Dâmaso

Face Oculta e Furacão

A comparação entre as operações ‘Furacão’ e ‘Face Oculta’ é inevitável, mas não é correcta. A ‘Furacão’ visou a prática ilícita de entidades colectivas, num primeiro nível, e depois de algumas pessoas.

Eduardo Dâmaso(eduardodamaso@sabado.cofina.pt) 2 de Novembro de 2009 às 00:30

Aplicou uma técnica de pesca de arrasto nas buscas, levando bases de dados inteiras dos bancos. É de enorme complexidade contabilística e, a partir de certa altura, orientou-se mais para a recuperação de receita fiscal e menos para o apuramento das responsabilidades criminais. Há já decisões de tribunais superiores e muita discussão jurídica à volta do caso. Na prática, a ‘Furacão’ é um megaprocesso de difícil gestão processual do qual não se pode esperar grandes resultados criminais.

Já a ‘Face Oculta’ parece ser o oposto de tudo isso. As buscas foram cirúrgicas e feitas numa fase já muito adiantada da investigação, com um grande apuramento dos indícios probatórios contra os suspeitos. Está centrada nas práticas corruptivas do empresário Manuel Godinho, trabalhadas ao milímetro com escutas a telemóveis e ambientais, vigilâncias, seguramente com documentação fotográfica, de encontros entre os arguidos e sem guerras entre polícias e magistrados. É de esperar uma rápida acusação. Para já, pelo menos na fase de investigação, a ‘Face Oculta’ seguramente prestigiará a Justiça.

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