Barra Cofina

Correio da Manhã

Opinião
6
24 de Julho de 2009 às 00:30

As funções que desempenho permitem-me aceder a dezenas de estudos internacionais que a equipa que comigo trabalha avalia com grande atenção e pormenor, não apenas para ver aquilo em que o País pode melhorar mas também para testar a robustez metodológica da análise.

Como é expectável, encontramos de tudo! Encontramos estudos com boas notícias e boas apreciações e estudos com más notícias e más apreciações sobre Portugal. Encontramos estudos robustos ou frágeis.

Muitos estudos são objecto de notícia na Comunicação Social em tons diversos, embora com a tendência para dar maior sublinhado aos maus do que aos bons resultados.

Não é sobre esse critério, que reflecte o ar do tempo, que quero pronunciar-me nesta crónica mas sim sobre a verificação de credibilidade que os ‘media’ em geral fazem dos estudos que publicam. Aí, sim, existe uma dualidade de critérios que evidencia um ‘fado mediático’ sobre o qual vale a pena reflectir.

Sempre que um estudo desanca no País, a generalidade dos ‘media’ publica-o sem verificar a sua credibilidade, robustez ou grau de confiança. Já quando as notícias são positivas, o escrutínio é profundo e a credibilidade dos dados é testada até à exaustão, levando até por vezes a que se perca o ‘timing’ de comunicação.

A segunda atitude, sempre que possível conciliada com o ‘timing’, é aquela que eu considero correcta. Não desejo que as boas notícias sejam publicadas sem escrutínio atento. A minha ambição era que isso também não acontecesse com as más notícias.

Temos o triste ‘fado’ de preferir carpir mágoas a celebrar vitórias mas os tempos que correm não são de desperdício.

Nenhuma lágrima deve ficar por verter nem nenhuma conquista por comemorar.

A ideia de que o que diz mal de nós é credível e o que diz bem é discutível é dos mais fortes condicionantes ao ganho de confiança de que precisamos. Tudo deve ser discutível à partida e credível quando robusto. Eis um pequeno passo para os nossos ‘media’ e um grande avanço para Portugal!

Ver comentários