Barra Cofina

Correio da Manhã

Opinião
9
Piloto morre em corrida de motos no Estoril

Joana Amaral Dias

Falta de presença

Cavaco Silva nunca foi dado ao contacto interpessoal, à proximidade com os cidadãos, muito menos a vozes críticas. No meio da sua frieza e timidez, resta-lhe sentir-se superior. É pena.

Joana Amaral Dias 18 de Fevereiro de 2012 às 01:00

Aliás, é pior que isso, é profundamente lamentável, posto que foi eleito, duas vezes, Presidente da República. E ocupar esse lugar obriga (obriga, mesmo) a estar em relação com as populações. Na teoria, Cavaco Silva sabe disso. Por isso auto-intitulou-se provedor do povo. Na prática, só põe um pé fora do palácio quando tem mesmo que ser e não nutre qualquer empatia pelo próximo. Basta recordar o recente episódio das suas reformas.

Não admira que fugisse aos protestos dos alunos da António Arroio. Sobretudo, depois de ter sido vaiado em Guimarães. O que é novo neste episódio é que com uma imagem desgastada e sem a direita a dar-lhe a mão, Belém é cada vez mais um bunker. Este será o desfecho do longo cavaquismo: umas conferências controladas numa cidadela amuralhada, umas visitas oficiais, muita polícia e segurança, alguns jornalistas sem espinha. Nada de gente. Um final agoniante. Passos Coelho agradece.

Ver comentários
Newsletter Diária Resumo das principais notícias do dia, de Portugal e do Mundo. (Enviada diariamente, às 9h e às 18h)