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Correio da Manhã

Opinião
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3 de Junho de 2003 às 00:00
"Um profeta, para ser autêntico, precisa apenas de se sentir autêntico". José Eduardo Agualusa escreveu (Estação das Chuvas, 1996). Fary deu vida à frase. No início da época, apesar da concorrência do então rei das apostas Jardel, o senegalês disse que seria o melhor marcador do campeonato. Na altura, não era mais do que uma promessa própria de início de temporada. Hoje, percebe-se que Fary não falou em vão. Antes, arriscou tudo. Depois de mais um Verão de especulações sobre a sua saída para um clube maior, que acabou por não se concretizar (essa transferência é agora inevitável), Fary acreditou que Jardel sairia para o estrangeiro e que Nuno Gomes, Derlei ou Postiga não teriam, como ele, uma equipa a jogar para si.
Com o decorrer do campeonato, a confiança aumentou e o senegalês assumiu a candidatura a melhor marcador. E nem o Ramadão o distraiu do seu objectivo. Depois de uma média de mais de 12 golos/época em cinco anos de Beira-Mar, só restava a Fary ser o melhor dos melhores, porque melhor do que muitos dos goleadores dos principais clubes, já ele o tem sido.
Domingo, entrou em campo em desvantagem face a Simão: tinha menos um golo do que o benfiquista e a sua equipa jogava sob o espectro da descida. Fary cumpriu e marcou. Salvou o Beira-Mar e rezou para que Simão não tivesse penáltis e rematasse ao lado. Foi feliz. E como o profeta de Agualusa, um jogador, para ser autêntico, precisa apenas de se sentir autêntico. E, durante a época, Fary foi mais autêntico do que Simão.
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