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Fernando Calado Rodrigues

Fé e ciência

O diálogo entre a Fé e a Ciência não tem sido fácil ao longo dos séculos, como também não é pacífico ao longo do crescimento e do desenvolvimento intelectual de cada indivíduo.

Fernando Calado Rodrigues 12 de Abril de 2013 às 01:00

Quando se é criança, aceitam-se as coisas como nos são apresentadas. Os que receberam formação religiosa na infância acolhem um mundo organizado por Deus, em que tudo faz sentido. Ao longo da adolescência, começam-se a pôr em questão os modelos recebidos e percebe--se que muitos dos ensinamentos religiosos não se coadunam com os conhecimentos científicos que entretanto se foram adquirindo. Entra-se em crise. Nessa altura, ou se aprofunda a formação religiosa, e se encontram razões para continuar a acreditar, ou se abandona a fé.

Para os que não receberam qualquer formação religiosa em criança, pode acontecer que, pelas mais diversas razões, tropecem na questão da fé e, já com uma formação científica aprofundada, encontrem razões para acreditar. Ou não, assumindo o ateísmo ou o agnosticismo como filosofia de vida.

Para muitos, esse percurso e essas decisões consolidam-se durante os anos passados na universidade ou no politécnico. Por isso, a Igreja procura ter uma presença junto dos estudantes do ensino superior com uma pastoral própria para esse setor.

Entre os dias 4 e 7 de abril, em Paris, reuniram-se bispos, capelães e responsáveis nacionais pela pastoral do ensino superior de 22 países europeus para refletirem sobre o papel da universidade na definição da relação entre Fé e Ciência. Para os participantes no encontro, ficou claro que "também a ciência é um caminho para Deus; e a universidade, precisamente por ser um lugar de confronto, de troca e de reflexão, é o lugar onde é possível alargar os horizontes da racionalidade e reabrir a questão de Deus".

No passado, a Igreja reagiu negativamente a alguns dos avanços científicos, que pareciam pôr em causa os dados da fé. Pensemos em Galileu ou em Darwin, por exemplo. Hoje espera-se da Igreja uma atitude menos "obscurantista" e mais aberta a acolher os avanços científicos, como iluminadores da sua mundividência cristã. É cada vez mais claro que Fé e Ciência não são concorrentes, mas sim complementares na reflexão humana sobre a verdade última das coisas.

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