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Correio da Manhã

Opinião
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2 de Julho de 2006 às 00:00
Esta decisão não trouxe nada de útil para a melhoria da Justiça. Era previsível, as enormes dificuldades de a implementar, devido à impossível conciliação das agendas dos juízes, do Ministério Público e dos funcionários. Os magistrados têm o direito de gozar 22 dias seguidos de férias, regime igual para as outras pessoas.
Nesse período podem estar também de férias os funcionários que as gozam alternadamente. Além disso, a maioria dos portugueses faz férias nesta altura, incluindo advogados, o que provoca adiamento de diligências. Ninguém de boa-fé pensa que são os juízes que se recusam abusivamente a não julgar nesse período.
Bem pelo contrário, devido a estes problemas, esta medida trouxe uma quebra de produtividade, com pouquíssimas audiências marcadas e muitos julgamentos que não se farão, com perda de tempo da parte dos juízes, que neste período aproveitavam para reflectir sobre os processos mais complexos. Esta é a verdade de uma lei atabalhoada e mal pensada. Feito o balanço, importa exigir responsabilidades políticas ao ministro da Justiça e lançar-lhe um desafio público para que divulgue o célebre estudo que tinha sobre o aumento de dez por cento de produtividade dos tribunais, durante esta fase, sob pena de ser visto como um homem sem palavra.
SCOLARI: O MAESTRO
No momento em que escrevo esta crónica, Portugal ainda não jogou com a Inglaterra. Mesmo assim, seja qual for o resultado, Scolari já faz parte do nosso património colectivo, cujo nome, doa a quem doer, ficará registado, em letras de ouro, nas mais belas páginas da história do futebol português. Pode-se criticar algumas opções técnicas, o que é normal, e acontece em todas as selecções. O que não se pode é, por interesses escondidos ou por um saloio patriotismo, tentar arrasar o homem. Que Scolari nos perdoe, somos o País dos morangos com açúcar, das praças da alegria e dos malucos do riso, agora transferido para a RTP, com novos co(me)ntadores de anedotas. Scolari ganhou o direito de vestir-se com a bandeira nacional e de cantar o hino, símbolos maiores desta Pátria, que é também sua. Como disse Laurentino Dias, o homem é imprescindível.
- Polícia Judiciária. Nota mais para a Direcção da PJ de Coimbra e para o trabalho dos seus agentes, pela investigação discreta e serena que realizaram em Santa Comba Dão, sobre o chamado caso do ‘serial killer’.
- Guantanamo. O Supremo Tribunal dos EUA lavou-nos a alma, ao decidir que Bush excedeu os seus poderes e ao ilegalizar esta prisão, que era um espaço sem direito. É a América no seu esplendor.
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