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Correio da Manhã

Opinião
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3 de Setembro de 2003 às 00:26
1 A única surpresa do FC Porto-Sporting foi a diferença, maior do que era esperado. De um lado uma equipa forte, decidida e com tudo do seu lado, até o golo a abrir. Do outro um conjunto de jogadores interessados, competentes, mas desligados, distantes uns dos outros e da baliza, até ao golo de Rochemback.
2 Manuel Cajuda é um personagem da minha adolescência. Sempre invejei aquele ar de quem já topou tudo, as entrevistas de página grande em "A Bola" de outros tempos, a certeza de que um dia os marroquinos ainda conseguiriam contaminar-nos com a sua arte de sobreviver ao aborrecimento. Nunca percebi se Cajuda é bom. Mas deve ser. Afinal, já treinou equipas que jogavam bom futebol e lançou futebolistas jovens que entretanto se fizeram grandes e o Marítimo já conseguiu ganhar uma vez fora e duas em casa. Já era tempo de ele escrever um livro. Podia chamar-se "Como sobreviver ao futebol português (e a alguns dos piores presidentes) e manter o bom humor". Eu comprava.
3 O Belenenses-U. Leiria foi um bom jogo. É verdade que não estive lá e os jornais dizem exactamente o contrário (estamos tão azedos, tão disponíveis para dar importância ao que sai mal), mas é por isso que o futebol tem graça. As duas equipas quiseram ganhar, houve jogadores em grande plano (Caíco, Edson, Ludemar, Wilson, Sousa), poucas faltas (alguém viu os médicos?), muitos ataques, jogou--se no campo todo, a um ritmo invulgar no futebol português, e nem me recordo do nome do árbitro. Belenenses e União, que somaram o primeiro ponto, encontram-se numa situação paradoxal: estão a jogar bem, mas andam no fundo da tabela e todos falam em mau início. No lugar deles não estaria preocupado, o tempo nunca deixa ficar mal quem gosta da bola.
4É muito provável que o Nacional pratique bom futebol, se calhar até melhor do que o Marítimo. Alguns jogadores mereciam estar no top 50 do campeonato (Rossato, Adriano), mas aquele campo não existe. As imagens são sempre de ângulos difíceis, o sol incomoda (e quando não aparece ainda é pior, temos nevoeiro), tudo parece feio, distante, feito à pressa. Só por isso ninguém pareceu reparar na obra de arte de Patacas, autor do primeiro golo frente ao E. Amadora. Platini teria gostado.
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