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Correio da Manhã

Opinião
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Armando Esteves Pereira

Fim de ciclo político

O debate orçamental que aconteceu ontem na Assembleia da República tinha um ar de fim de ciclo. O líder parlamentar do PSD, Miguel Macedo, foi claro ao afirmar que o seu partido não vai dar uma terceira oportunidade ao Governo , depois de ter viabilizado o PEC II e agora o o PECIII e o Orçamento. Na prática, trata-se de um pré-aviso para uma moção de censura a partir de Março. <br/>

Armando Esteves Pereira(armandoestevespereira@cmjornal.pt) 3 de Novembro de 2010 às 00:30

Mas os cenários políticos vão depender do que acontecer na economia. A esmagadora maioria da classe média, graças ao acordo de Catroga e Teixeira dos Santos, fica livre da asfixia fiscal directa que representava o corte nos benefícios e deduções. No entanto, a subida do IVA e o ambiente recessivo na economia induzido pelo Orçamento vão provocar muito aperto do cinto às famílias e empresas. O desemprego no próximo ano corre o risco de copiar o padrão espanhol, que está assustadoramente próximo da taxa dos 20%. O défice continua gigantesco e vai aumentar a dívida pública.

Tudo vai depender da disponibilidade de crédito externo e, se falhar, a entrada do FMI é quase inevitável. Mas se o FMI vier precisa de um quadro político que garanta a gestão da austeridade, e esse quadro é muito complicado se não tiver o comprometimento de PS e PSD. A política tornou-se muito volátil e dependente do ciclo da crise financeira. Mas isso acontece sempre que um país não gera riqueza suficiente para alimentar o Estado que tem.

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