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Correio da Manhã

Opinião
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Piloto morre em corrida de motos no Estoril

Francisco Moita Flores

FOGE CÃO, QUE TE FAZEM BARÃO!

Nunca votei nele e neste momento, mais por revolta contra a hipocrisia dominante do que por convicção pessoal estou do seu lado. Que fez este homem de tão mau, de tão vil, tão ruim que mereça a sucessão de enxovalhos

Francisco Moita Flores 4 de Julho de 2004 às 00:00
1. Esta semana foi o palco de dois delírios: um com o Portugal do futebol a marcar mais uma vez o talento e a determinação da nossa selecção a caminho da glória final. O outro, foi o do Portugal político a marcar mais uma vez o outro país que se esconde detrás do brilho das lantejoulas e que navega no pus da intriga, da mentira e da inveja. O país pulha e maledicente, arrogante e boateiro que persiste na miséria moral mais medíocre.
O centro da polémica tem nome: Pedro Santana Lopes. O homem não abriu a boca toda a semana até ao momento em que o seu partido o nomeou presidente. No entanto não houve boca que não pronunciasse pelo menos uma vez o seu nome. Estou à vontade. Não sou do seu partido e não lhe devo nem ele me deve favores. Nunca votei nele e neste momento, mais por revolta contra a hipocrisia dominante do que por convicção pessoal estou do seu lado. Que fez este homem de tão mau, de tão vil, tão ruim que mereça a sucessão de enxovalhos que durante a semana foi alvo, onde se produziu a macabra aliança de uma certa esquerda que vive do folclore da manifestação espontânea, moderna herdeira das mesmas manifestações de apoio a Marcelo Caetano, com os barões e morgados da direita e extrema-direita? Que terá feito este homem que até os velhos jornais, que outrora foram de referência, se constituem em missionários do ódio contra ele?
Que eu saiba, fez uma carreira política igual àquela que muitos dos seus detractores fizeram. Concretizou projectos, não concretizou outros, ganhou eleições, perdeu outras. A política é assim mesmo, cheia de altos e baixos, de avanços e recuos. Então porque é que desperta esta animosidade? Porque não tem um projecto político? Que se saiba ao longo destes dois anos de governo foi um dos principais defensores do projecto que estava a ser levado a cabo por Barroso e Manuela Ferreira Leite, dando a cara com coragem, quando os barões e morgados do seu partido que agora o apedrejaram, se escondiam como ratos com medo da impopularidade das medidas. Porque não é capaz de fazer um governo prestigiado? Mas como é que isso se sabe se não lhe ouvimos uma palavra sobre essa matéria? Porque aparece com frequência nas televisões e em jornais e revistas? Mas que culpa tem o homem de ter uma comunicação social que o ‘agarra’ quando sabemos que centenas de ministros de todos os governos são capazes de vender a alma ao diabo por quinze segundos de televisão? Bom, se entrámos neste campo mais pessoal, dizem alguns que não gostam dele porque tem (ou teve) muitas namoradas. Na realidade, estamos a caminhar por uma via em que isso é cada vez mais um defeito. Outros argumentam que ele gosta de se divertir. Outros, ainda, porque embirram com o penteado. Outros ainda porque o homem é do Sporting, e aqui tem a minha total solidariedade.
A verdade, é que PSL é amado ou odiado pelo que tem de combativo e de coragem. Não é cobarde. Porque não se esconde e corre riscos. Curiosamente, embora com ideologia diferente, as mesmas características do seu último rival: o socialista João Soares.
Porque na verdade, o problema central não é ser PSL ou outro qualquer militante do seu partido, o primeiro-ministro. Esta fulanização é exactamente o contrário daquilo que o país precisa. O que precisamos de saber é se o futuro governo tem ou não tem um projecto para o futuro, se aqueles que reclamam eleições têm ou não têm um projecto diferente. O que precisamos de saber é se isto vai lá com eleições ou sem eleições ou então, assumir a posição de um entrevistado depois da vitória contra a Holanda que proclamava eufórico: quero lá saber, desde que Portugal ganhe o Euro!
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