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Carlos Moedas

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Aquele que se isola e ataca todos os outros com o objetivo de os dividir obtém o resultado contrário: a união.
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Por Carlos Moedas|15.06.18
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A semana passada foi rica em imagens e situações inéditas, quase todas negativas. Trump decidiu convidar a Rússia para o G7 e ao mesmo tempo culpar todos os seus aliados pelo défice comercial americano.

Quase todos se focalizaram na imagem poderosa da chanceler Merkel e de outros líderes a tentarem convencer um presidente americano sentado de braços cruzados, imagem de intransigência contra o espírito de negociar. Mas para mim houve uma fotografia mais discreta mas talvez mais poderosa na ilustração do nosso futuro. A imagem que acompanha esta coluna mostra que pela primeira vez num G7 – sinal dos tempos – houve uma reunião prévia entre os líderes europeus: o presidente francês, a chanceler alemã, o primeiro-ministro italiano, a primeira-ministra britânica e os presidentes do Conselho e da Comissão Europeia.

Esta imagem é muito poderosa por duas razões: Primeiro, porque constatamos que à mesa dos 7 países mais poderosos do mundo há afinal 9 lugares, e que 6 desses lugares são ocupados por europeus. Isto significa que não devemos subestimar o poder e o peso da Europa à volta desta mesa. Segundo, que numa mesa de 9 pessoas, aquele que se isola e ataca todos os outros com o objetivo de os dividir obtém exatamente o resultado contrário: a união. É revelador que nestes tempos de Brexit, Theresa May tenha percebido que na cena internacional é bem melhor estar alinhada com os seus parceiros europeus.

Na minha geração, o G7 era visto como uma mesa na qual os EUA falavam e os outros ouviam e talvez por isso nunca nos tínhamos dado conta de que a maioria das pessoas à volta daquela mesa é europeia. Pela primeira vez essa imagem de um G7 centrado nos EUA mudou e de certa forma acredito que mudará também a nossa perceção para o futuro. É interessante ver que a união e a liderança da Europa levaram o Canadá e o Japão a aproximarem-se de nós como nunca antes tinham feito.

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