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Correio da Manhã

Opinião
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13 de Janeiro de 2006 às 00:00
“A navegação continua a ser bastante difícil porque não há grandes referências na paisagem e as pistas são muito sinuosas o que não permite que se siga um rumo linear”, admitiu-nos o francês Jean-Marie Lurquin, o navegador de Carlos Sousa na Nissan Navara. Por isso, todos os dias há muitos concorrentes perdidos, mesmo entre os primeiros classificados, como aconteceu à chegada a Bamako. Contudo, ontem foi uma árvore que se atravessou no caminho de Stéphane Peterhansel, levando a que este perdesse bastante tempo.
Além disso, o piso é duro. Coberto de pedras e com zonas que mais parecem chapa ondulada, o que é um sacrifício físico para os pilotos e demolidor para mecânicas já muito cansadas. A fadiga é notória na caravana TT, sobretudo entre os concorrentes que andam mais atrás, como é o caso da portuguesa Céu Pires de Lima, que nos admitiu ter andado “36 horas seguidas ao volante com apenas cinco horas numa tenda pelo meio”.
Por isso “é muito importante gerir bem o esforço nesta fase da competição”, como nos disse o piloto lisboeta Miguel Barbosa, que conduz uma Nissan. “Além das etapas serem bastante duras, as ligações são enormes”, tendo em muitos casos mais de 300 quilómetros percorridos em picadas que são traiçoeiras, com buracos que mais parecem crateras e valas que podem causar danos irreparáveis na suspensão dos veículos.
É por isso que no momento em que o Lisboa-Dacar vai fazer uma volta de 180 graus no seu rumo, para voltar ao Mali, no seu caminho para a capital senegalesa, muitos pilotos continuam a afirmar que “ainda nada está decidido”.
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