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Correio da Manhã

Opinião
8
24 de Junho de 2004 às 00:00
Aí está o Portugal-Inglaterra, seguramente um dos grandes jogos deste Euro’2004, correspondente à barreira psicológica dos quartos-de-final.
Desde o sorteio, nos meus raciocícinos, sempre esteve presente a ‘obrigatoriedade’ da selecção nacional chegar a esta fase (no mínimo) e que, a partir daqui, a maior contrariedade poderia ser ‘cruzar-se’ com a França ou a Inglaterra. É, por isso, ‘uma final antes da final’, ainda por cima frente a uma equipa que tem tido um comportamento muito positivo dentro das quatro linhas. As ‘clássicas’ Alemanha e Itália já cá não estão e a Espanha também ‘morreu’ aos pés do empolgamento e da competência da Selecção portuguesa.
O Euro’2004, nessa medida, já contrariou a lógica e não deixa ser irónico que a selecção espanhola seja vítima do seu valioso mercado interno e que a Alemanha e a Itália sejam, hoje, a imagem de uma certa decrepitude. Os alemães mostram dificuldade neste tempo de transição; os italianos, cheios de problemas no seu futebol para consumo doméstico, tiveram um rasgo de inconformismo no jogo com a Bulgária, mas não conseguiram esconder a sua genérica falta de ambição.
A Holanda ressurge, com o afundamento dos germânicos, mandados para casa por uma República Checa que, integrada num grupo teoricamente difícil, brilha intensamente na sua simplicidade de processos.
Regressando à ‘final’ de hoje: talvez Eriksson saiba mais do futebol português do que Scolari e, seguramente, do futebol europeu. Mas isso, neste momento, não parece decisivo. A equipa do FC Porto que existe dentro da equipa de Portugal resolve, agora, os défices de preparação do colectivo que ‘atacou’ a selecção nacional no primeiro jogo. Beckam, Gerrard, Scholes e Lampard fazem um meio-campo fortíssimo. Mas aí Portugal já está precavido com a ‘força técnica’ de Costinha, Deco e Maniche.
Figo e Ronaldo vão ter de se desdobrar em tarefas, porque o miolo inglês não pode ter espaço para as suas fulminantes jogadas mas entendo, também, que o facto de a Inglaterra ser habitualmente uma equipa comprida, com muito espaço entre linhas, pode beneficiar Portugal, se o onze de Scolari souber reagir nos movimentos contra-ofensivos.
O segredo está em ganhar o ataque sem perder densidade no meio-campo. A selecção nacional precisa de um Figo ainda mais empreendedor e decisivo; de um Cristiano Ronaldo ao nível do que produziu na partida com a Espanha – e, principalmente, de não se desunir como ‘família’.
A mobilidade de Nuno Gomes pode ser importante nas proximidades dos centrais ingleses e é bom que o benfiquista tenha consciência do seu papel quando Portugal perder a bola no espaço ofensivo.
Muito cuidado com as faltas junto da área guardada por Ricardo Carvalho e Jorge Andrade (Beckam, lembram-se?) e muito cuidado, sobretudo, com as ‘aparições’ de Scholes na zona de concretização. Neste particular, Costinha deve ter um papel importante (atenção às rasteiras!) e é bom não esquecer que o repentismo de Owen já fez muitos estragos.
Os dados estão lançados para um grande jogo. É preciso saber ganhar e perder, participar na festa e perceber que, se ganharmos, há muita coisa que o País ainda não ganhou e se perdermos, não se perde tudo e muito menos a noção das realidades.
God save (também) Durão!
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