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Correio da Manhã

Opinião
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6 de Agosto de 2011 às 00:30

O Governo anda muito vaidoso da sua condição juvenil. Ainda não fez dois meses e agita-se, pueril, em movimentos descoordenados. Não fora o programa da troika e não se perceberia qualquer desígnio forte promovido pelo Executivo, que se espalha por medidas avulsas, algumas com reflexos dolorosos na vida dos cidadãos, os mesmos que vão ficar sem parte do 13º mês e vão ter de suportar um aumento significativo no custo dos transportes. Encurralados no perímetro dos que vão pagar pelos pecadores. Sem dó mas com muita piedade...

O Governo de Verão começou por viajar em económica na companhia aérea de bandeira – um futuro despojo nacional – e despachou femininamente sobre gravatas no ministério do ambiente e dos lavradores. Recrutou administradores, assessores e motoristas sem ostentação e quase sem publicidade. À míngua de governantes, promoveu superchefes de ga-binete, superpagos, que a poupança anunciada era só a nível do Conselho de Ministros. Neste registo, nota para a prioridade dada no ‘perímetro do poder’ à ocupação da CGD por uma mão-cheia de liberais à moda antiga, ou seja, confiantes nos serviços que a banca pública há-de prestar às mais diversas privatizações em perspectiva. Como esta venda rocambolesca do BPN, em que o Estado nem consegue pôr fim certo à sangria de dinheiros públicos com o monstro financeiro que nacionalizou.

O escândalo do BPN ainda não saiu à rua, e o regime não se sairá bem dele, por muita passividade que o cidadão contribuinte continue a exibir. Este Governo, ao menos, podia ter posto um fim às obrigações do Tesouro neste caso. Os maus costumes do regime também se revelaram com as notícias sobre o grau de privatização dos serviços ‘secretos’ civis. Com o Estado em queda livre, qualquer empresa majestática, ou bem relacionada, se cobre com as roupagens do interesse nacional. O Governo de Verão acelerou esse modelo ao abandonar as ‘golden-shares’ sem qualquer moeda de troca, ou seja, sem arrecadar quaisquer receitas quando tanto precisa delas. Este Governo só sabe arrecadar receitas pelo lado do contribuinte. Menos o País cresce economicamente e mais negócios estratégicos florescem, um paradoxo que os serviços de informação económica deviam estudar com prioridade...

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