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Correio da Manhã

Opinião
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17 de Março de 2013 às 01:00

Esta semana assistimos ao delírio da inconsistência e incompetência do poder político no que respeita ao ‘serviço público’. Miguel Relvas, que já não é ministro em Portugal, saltita pelos países africanos lusófonos vendendo aquilo a que a sua administração da RTP chama, para nos fazer rir, a "‘portugalidade’ global", como se ‘O Preço Certo’, a telenovela ‘Sinais de Vida’ ou o humor desgraçado de ‘Anticrise’ ‘portugalizassem’ os falantes do português no mundo.

No parlamento, o presidente da RTP defendeu o amanhã-que-canta da empresa com base na dupla ‘estratégia’ delirante dum aumento de audiências e da ‘portugalidade global’, através dum ‘funil’ de inovação e da acção dum incompetente ‘director-geral’, a quem chamou um ‘filtro’ entre a administração e os criadores de conteúdos. Nisto acertou, porque um filtro serve para deixar passar o que os de cima querem que chegue aos de baixo: é esse o papel de um ‘director--geral’ da confiança de Relvas e sua administração na RTP.

E como vingará a tripla incompetência de Relvas, administração e ‘director-geral’? Aumentando a taxa: o administrador admite não cumprir o mandato de gerir a RTP com as receitas da taxa actual e da publicidade. O que está lá a fazer?

Preocupada com miudezas partidárias e o seu próprio tempo de antena na RTP, a oposição mostrou nas audições ter tanto pensamento sobre serviço público como o governo. E, assim, com um governo que demorou anos a decidir deixar tudo na mesma, com uma administração em delírios de ‘portugalidade global’ e de ‘funil’, com uma ‘direcção--geral’ ilegal, incompetente e ‘filtro’ do que vem de cima, com sonhos dum enorme aumento de audiência num ano, com tanta incompetência e desprezo pelo interesse público, só o seu telecomando, caro leitor, poderá obrigar governo, parlamento e o operador público a acordar. Mas duvido. Eles não querem serviço público, querem RTP.

DE CONTRA-INFORMAÇÃO A CONTRA PODER: CONTRA É A PALAVRA-CHAVE

Em 2010, governando Sócrates, a RTP acabou com o ‘Contra-Informação’. O aparelho autoritário em construção não tolerava esse pequeno espaço de liberdade de expressão e irreverência. Sempre produzido pela Mandala, regressou à SIC com novos bonecos num novo modelo refrescado pela escrita de novos autores. Em vez de quadros de alguns minutos, ‘Contra Poder’ são agora curtas anedotas. O velho modelo de ‘telejornal’ continua, repetitivo, mas mais ágil. O ritmo favorece a rubrica. Falta que os autores dominem o material pela jugular. Acontece muito em Portugal: as situações são engraçadas mas não provocam uma boa gargalhada. Se ‘Contra Poder’ dominar essa técnica, poderá juntar a irreverência ao conseguimento humorístico.

CMTV: CRÍTICA TAMBÉM NO ECRÃ

Hoje é o dia CMTV, o quinto canal generalista português, primeiro no cabo. Colaborador do CM e do canal, deixarei de fora a crítica concreta de programas da CMTV, porque é assim que deve ser num universo mediático pluralista em que caberá a outros criticar-nos e em que a ética empresarial e jornalística estabelece relações de confiança entre empregador e colaboradores.

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