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Correio da Manhã

Opinião
9
13 de Maio de 2003 às 00:00
A cena seria simplesmente caricata se não revelasse também o primarismo da generalidade dos árbitros portugueses. O filme do que aconteceu já foi de tal modo repetido nas televisões e nos jornais que me dispenso de o recordar. A minha dúvida é se aquele 4.º árbitro de apelido Gralha (que além de erro ortográfico impresso é uma estranha ave da família dos corvos) contou ao 1.º árbitro o que se passara entre ele e o jogador, quando, instalada a confusão, aquele o foi interpelar junto à linha lateral. Ou seja, que foi ele, Gralha, quem, após a sinalética habitual para dentro do campo, disse, instou e até deu um ‘amigável’ empurrão nas costas ao pobre do Tiago, induzindo-o a reentrar em jogo. Porque se disse, o árbitro Elmano (Elmano era o Bocage, lembram-se?) é mais uma anedota que anda por aí de apito na boca e tem da moral uma ideia bizarra.
Se o Gralha, apesar do que toda a gente viu, do que as câmaras de televisão registaram, etc., se encolheu e omitiu a sua responsabilidade na reentrada do jogador e se calou mesmo depois de ver o 1.º árbitro expulsá-lo, bem, estamos diante de uma grave falta de carácter.
Que irão fazer os doutos membros da Comissão Disciplinar da Liga, eis uma questão interessante. Se um árbitro instigar um jogador a cometer uma infracção, enganando-o, para depois ele ser castigado, é legítimo, moral, enfim, aceitável – como vi ontem alguns "especialistas" defenderem, sabe-se lá porquê – vou ali e já venho. Mas teremos, finalmente, a arbitragem que merecemos...
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