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Correio da Manhã

Opinião
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30 de Agosto de 2004 às 00:00
Enquanto dois ou três corriam como Gatlin, Obikwelu e Greene, outros ficavam na meta a cronometrar o tempo dos colegas. Depois trocavam, porque todos queriam imitar os ídolos.
Os menos activos ficavam-se por fotografias de rabo para o ar e pés no bloco de partida. E nessa altura as máquinas já estavam cansadas de tanto disparar durante o dia, porque sempre que uma grande figura ou um atleta grego terminava a sua prova, eles atropelavam-se à beira do tartan para conseguirem captar uma imagem.
Esta é só uma das imagens da mobilização total dos gregos: os militares guardavam os estádios do interior, a polícia marítima os da costa e a de trânsito o tráfego nas estradas. Nos restaurantes e nas lojas o esforço por agradar estava, quase sempre, para além do desejo de facturar, sobretudo se o cliente andasse de acreditação – o documento que identificava todos os envolvidos nos Jogos, dos atletas aos jornalistas – ao peito.
Por tudo isto, os gregos acordaram hoje melancólicos, com uma estranha sensação de acalmia. A explicação é simples: os Jogos Olímpicos de Atenas acabaram. Ontem, já depois dos maratonistas terem cortado a última meta e da passagem do testemunho a Pequim – o organizador da próxima edição, em 2008 –, o povo grego prolongou a festa o mais que pôde. Concentrados na baixa de Atenas, ainda com a companhia de muitos visitantes estrangeiros – hoje a correria ao aeroporto atinge o pico –, os gregos gozaram, madrugada fora, e por uma última vez, a sensação de serem o centro do Mundo.
E, feito o balanço, têm razões para estar orgulhosos, porque, à excepção do incidente que ontem adulterou o desfecho da maratona masculina, tudo correu como previsto.
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