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Correio da Manhã

Opinião
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Armando Esteves Pereira

Greve geral no Estado

A greve de hoje poderá ser quase geral na Função Pública e nas empresas do Estado. No sector privado, por muito zangados que estejam os trabalhadores, a adesão deverá ser bastante menor.

Armando Esteves Pereira(armandoestevespereira@cmjornal.pt) 24 de Novembro de 2010 às 00:30

A Função Pública tem razão em estar zangada. O Governo, na apresentação do PEC III, ao anunciar os cortes nos salários, acabou por estigmatizar os trabalhadores do Estado, considerando-os praticamente culpados pela despesa excessiva.

O que não é verdade. Basta ver a execução orçamental dos dez primeiros meses de 2010. Apesar da subida das receitas, para a qual contribuiu o IVA, o imposto sobre veículos e o tabaco, o défice aumentou 245 milhões e já atinge 11,8 mil milhões de euros. A despesa com pessoal é de cerca de 9 mil milhões, enquanto a despesa total ultrapassa 40,8 mil milhões. O ataque à Função Pública até contribuiu para o aumento de despesa. O Estado gasta, actualmente, centenas de milhões com estudos e pareceres técnicos. Escritórios de advogados, gabinetes de engenharia, com salários muito mais altos do que no Estado, ganham fortunas, com serviços que o próprio Estado poderia fazer com custos mais baixos. O corpo de elite de juristas, economistas e engenheiros da Função Pública foi secundarizado. Para o poder político, a Função Pública é apenas uma máquina na qual se colocam os ‘boys’ em cargos de chefia ou em prateleiras douradas. Mas estes ‘tachos’ não são a Função Pública.

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