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Correio da Manhã

Opinião
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23 de Março de 2003 às 00:00
As imagens dos tanques aliados a progredir no deserto como se tratasse de uma auto-estrada e as rendições de soldados de Saddam transmitem a impressão que o conflito pode ser rápido. Era bom que isso acontecesse, porque a melhoria da actividade económica em Portugal também fica dependente dessa hipótese. Uma guerra longa acentuaria a depressão, enquanto uma vitória rápida dos aliados transmite confiança aos mercados e fará baixar o petróleo. Os preços do crude, ao contrário do que se poderia temer, já baixaram mais de 25% desde o início do conflito. Se o confronto terminar depressa, sem grande destruição dos poços, haverá uma nova pressão em baixa das cotações petrolíferas, o que incentivará a economia e aliviará o preço que pagamos pelos combustíveis. Ainda há a contabilizar os ganhos indirectos, porque o aumento do emprego só é possível se a procura internacional registar uma acréscimo significativo.

Petróleo paga. Com tantas vítimas inocentes, o balanço de uma guerra nunca deverá ser justificado pelos ganhos económicos. Mas a realidade é que além dos ganhos directos da indústria de armamento e das petrolíferas que multiplicaram as fortunas com o crude caro, a reconstrução do Iraque irá criar muitas oportunidades de negócio, especialmente para as empresas norte-americanas. E este pode ser um bom pretexto para a recuperação económica mundial, dado o peso que os EUA têm na distribuição da riqueza global. Ao contrário do Afeganistão, ou Timor, em que não há recursos para pagar a conta, o Iraque ocupa a segunda posição entre os países com maiores reservas petrolíferas. Estas receitas podem pagar uma ‘pax americana’ exemplar para o médio oriente e até melhorar a vida dos iraquianos.

Défice questionado.Depois da recessão técnica, registada em Dezembro, os dados de Janeiro e Fevereiro, não são animadores. Já se ouvem muitas vozes a defender um flexibilidade do défice para reanimar a actividade. Economistas prestigiados como Miguel Cadilhe e Teodora Cardoso em declarações ao ‘Expresso’ defendem essa perspectiva. A ajuda do investimento público pode dinamizar a economia, mas há que ter cuidado para evitar derrapagens excessivas, porque caso contrário, todos os sacrifícios do último ano podem ter sido em vão.
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