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Correio da Manhã

Opinião
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Fernando Calado Rodrigues

Há saída para a crise

Celebrou-se mais um Dia do Trabalhador, este ano ensombrado pelos níveis altíssimos do desemprego. As lideranças europeias assumem como natural que os ajustamentos provoquem um aumento deste tipo do desemprego – e que não há outra saída para a crise.

Fernando Calado Rodrigues 3 de Maio de 2013 às 01:00

Passos Coelho garantiu nas Conferências do Estoril que não há outra alternativa para Portugal senão cumprir os compromissos que assumiu. Quem disser o contrário faz "demagogia". Ou seja: não adianta procurar outras soluções. Isto apesar de economistas eminentes, como os Prémio Nobel Paul Krugman ou Christopher Pissarides, predizerem há anos que as políticas europeias de austeridade só poderiam resultar no que resultaram: travagem da economia, aumento do desemprego e, por causa disso, o que que se procurava evitar – a manutenção dos défices altos e o aumento da dívida. Apesar disto, os nossos políticos continuam a professar uma fé cega na fórmula germânica para a crise.

No 1º de Maio, Passos Coelho afirmou perentoriamente que o "problema não está nas taxas de juro, mas na dívida". Nesse caso, para quem percebe pouco de economia, parece que o nosso problema é pagar a dívida que contraímos.

No pós-II Guerra, a nação alemã chegou à conclusão que não conseguiria pagar a dívida, a não ser que os juros fossem proporcionais à disponibilidade da produção interna do país. Ora, se essa solução foi possível naquelas circunstâncias, porque não se pode encontrar agora uma saída semelhante? Ou os direitos de quem empresta o dinheiro sobrepõem-se ao direito ao trabalho e a uma vida digna de tantos europeus?

Para o Papa Francisco é claro que o desemprego é o resultado de uma injustiça social que tem por base esta inversão de valores. Na audiência geral do dia 1 de Maio manifestou-se preocupado com tantos que "se encontram desempregados, muitas vezes por causa de uma conceção economicista, que busca somente o lucro egoísta, fora dos parâmetros da justiça social"?

Este foi o primeiro sinal da reflexão do novo Bispo de Roma sobre as questões socioeconómicas. E parece conter o gérmen de uma reelaboração da Doutrina Social da Igreja, a qual ao longo de mais de cem anos tem denunciado os atropelos que se têm cometido contra a dignidade humana.

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