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Correio da Manhã

Opinião
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12 de Agosto de 2008 às 09:00

Na semana passada, o Mundo perdeu um herói que mudou a História através de um livro e da sua coragem. Tal como os ‘Direitos do Homem’, de Thomas Paine, ‘A Riqueza das Nações’, de Adam Smith, e ‘As Origens das Espécies’, de Charles Darwin, o monumental ‘O Arquipélago do Gulag’, de Alexander Soljenitsin, é uma obra que modificou a percepção comum da realidade, ao relatar a barbárie do regime comunista soviético. Um regime que deportava os "inimigos objectivos", apenas porque estes não abdicavam da sua consciência. Quando lhe é atribuído o Prémio Nobel da Literatura em 1970, recusa deslocar-se a Estocolmo, porque receia não poder regressar à União Soviética, mas quatro anos depois é obrigado a procurar exílio. Enfrentando um regime de terror e brutalidade, denunciou a mentira da "sociedade sem classes" e ditou o princípio do fim da União Soviética.

Dias depois, uma situação de quase tragédia elevou as forças de segurança portuguesas ao estatuto de heróis. Foram necessárias horas de sofrimento mediatizado, de negociação e de pontaria certeira para que houvesse o devido reconhecimento da PSP. Convém lembrar que a Polícia, os GOE, mas também a PJ, a GNR, o INEM, a Protecção Civil, os Bombeiros são corporações compostas por milhares de elementos que zelam diariamente pelo nosso bem-estar. Fazem-no todos os dias com dificuldades humanas, orçamentais e materiais; fazem-no correndo perigo de vida, no fio da navalha, e tendo que tomar decisões em fracções de segundos, com sucessos e vitórias, mas também dissabores, derrotas e erros. E tantas, tantas vezes com incompreensão da opinião pública e com a crítica de certa opinião publicada, sempre pronta a encontrar excessos nas forças de segurança e desculpas para os criminosos.

São heróis, mas são humanos. São heróis anónimos e acidentais, que fazem o que podem no seu universo e nas suas circunstâncias. É bom que todos nos lembremos de que festejámos os heróis quando tiveram sucesso, para não sermos implacáveis quando falham. Só alguns ficam famosos, mas é a imensidão de heróis anónimos que fazem, diariamente, avançar a Humanidade.

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