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Francisco Moita Flores

Hipocrisia moralista

Este ano o Dia de Portugal, de Camões e das Comunidades foi comemorado em Faro. Celebrou-se Portugal, a nossa memória colectiva, a nossa identidade, a afirmação e a História de uma Pátria que durante séculos foi produtora de saber, de descobertas, de conquistas e derrotas, mãe de uma das Línguas mais faladas em todo o Mundo.

Francisco Moita Flores 13 de Junho de 2010 às 00:30

Celebrámo-nos, evocando os nossos pais, os nossos avós, a terra que nos viu nascer, que é a raiz dos nossos filhos e dos nossos netos e com a honra que deve proceder a estes grandes acontecimentos litúrgicos de exaltação de um país que não se rende, que já viveu as piores das crises, que comeu o pão que o diabo amassou, mas que resistiu, que soube endireitar-se aos mais rudes golpes da desventura, que se reergueu sempre, deve ser, devia ser o momento apoteótico de um povo que não morre e que se reinventa em cada pedaço de sofrimento. Este ano, esta efeméride ocorreu paralelamente às vésperas do início do Mundial de Futebol na África do Sul. O prestígio e a propaganda a Portugal através da sua selecção faz com que milhões de portugueses espalhados pelo Mundo vivam com euforia e grande expectativa este acontecimento desportivo. Nada a opor.

Até pelo contrário. Uma boa intervenção neste campeonato não é só bom para o futebol português, é um contributo para a divulgação de Portugal no Mundo, chamando a atenção de turistas, empresários e de todos aqueles que de uma forma ou de outra não têm Portugal presente nos seus horizontes de expectativas. Pois bem. E é aqui que reside a hipocrisia de alguns moralistas que estiveram mais preocupados com as despesas do 10 de Junho do que com a grandeza simbólica da data assinalada.

Os mesmos que jamais serão capazes de questionar quanto custa a participação de Portugal no Mundial de Futebol. O nacionalismo exacerbado produziu perversões políticas é certo. Porém, sem o sentido da nossa raiz comum, sem amor e exaltação do amor à terra que é a nossa alma, ventre e sepultura, Portugal não afirma a auto--estima tão necessária para vencer todas as crises que nos atravessam. Sobretudo a crise moral que conduziu à hipocrisia e ao cinismo dos medíocres. Faro honrou o 10 de Junho e Portugal, embora sob vigilância dos fiscais pretensamente morais das contas públicas.

Que a selecção, liberta desses fiscais da mesquinhez, sem medos das misérias morais dos cínicos, consiga fazer brilhar o nome de Portugal ao nível que as humildes condições do 10 de Junho conseguiram. Em nome da nossa vontade de vencer obstáculos. Até dos beatos da moral hipócrita.

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