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Correio da Manhã

Opinião
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Armando Esteves Pereira

Ilhas de pobreza mancham o País

A geração que nos anos 80 saiu precocemente da escola para ir directamente para a fábrica tem o seu emprego ameaçado.

Armando Esteves Pereira(armandoestevespereira@cmjornal.pt) 18 de Março de 2007 às 00:00
Portugal mudou muito nos últimos 40 anos. As diferenças são tantas que é fastidioso enumerá-las. Agora é um País mais desenvolvido, mais urbano, com empresas mais competitivas e abertas à concorrência. Mas este ‘Portugal moderno’ ainda tem ‘ilhas’ que fazem lembrar o País dos anos 60, marcado pelo êxodo de centenas de milhar de pessoas para a Europa.
Esta semana foi conhecido mais um caso de exploração de portugueses em Espanha e as imagens das condições degradantes em que viviam são piores que os retratos dos ‘bidonvilles’ dos arredores das grandes cidades gaulesas que há 40 anos já chocavam os franceses. O caso da escravatura em Espanha é mais grave e dramático que outros já conhecidos na Inglaterra e Holanda, mas todos estes derivam da situação de Portugal, apesar de toda a ‘modernidade’, ainda ser um exportador de mão-de-obra barata, como qualquer país de terceiro mundo. As autoridades já fizeram campanhas para alertar os emigrantes sobre o perigo que correm nas mãos dos angariadores sem escrúpulos, mas para quem não tem trabalho, nem expectativas de o ter, facilmente é tentado a aventurar-se.
A maioria dos portugueses vítimas destas redes são do Norte do País, a região mais afectada pela crise do têxtil e do calçado e onde há mais gente nova sem emprego. E apesar do desemprego entre as pessoas qualificadas começar a ser notado, o desemprego entre pessoas de mais baixa escolaridade é mais grave. A geração que nos anos 80 saiu precocemente da escola para ir directamente para a fábrica tem o seu emprego ameaçado e paga a factura da baixa qualificação. Reciclar profissionalmente dezenas de milhar de pessoas com pouco mais que a quarta classe e com grande aversão à Matemática é seguramente um empreendimento maior que o choque tecnológico.
A RAZÃO DE MANUELA
Marques Mendes pediu uma redução de impostos e Manuela Ferreira Leite não gostou da sugestão. Na óptica de consolidação das contas públicas, a ex--ministra das Finanças tem razão: é fundamental que o Estado equilibre em primeiro lugar o orçamento para depois baixar os impostos. Reduzir a pressão fiscal pode custar ainda mais caro aos contribuintes no futuro, dada a dificuldade que manifesta em reduzir as despesas públicas. Contudo Marques Mendes tem justificação em alertar para a subida dos impostos.
Com a subida da taxa do IVA e da carga fiscal sobre os combustíveis, os portugueses estão a pagar mais impostos sem se aperceberem. E com a actual evolução orçamental, o Governo tem margem para no Orçamento de Estado de 2009 e em plena campanha eleitoral baixar o IVA e até marginalmente o IRS e usar assim um trunfo eleitoral decisivo, uma ‘bomba atómica’ nas eleições. Arrisca-se a ter de emendar a benesse no ano seguinte, mas nestas questões de política o fundamental é conquistar o poder.
Os avisos de Manuela Ferreira Leite constituem um alerta sobre a saúde das finanças públicas, mas é legítimo que Marques Mendes se preocupe com os ciclos eleitorais.
OPA EM RISCO
Um ano após o anúncio da OPA do BCP sobre o BPI , a Autoridade da Concorrência autorizou a operação. O preço oferecido há um ano (5,70 euros por acção), que na altura representava um prémio interessante, já foi ultrapassado pelo mercado e se não houver revisão das contrapartidas, a operação do banco liderado por Paulo Teixeira Pinto deve fracassar.
Como disse recentemente o professor Menezes Cordeiro, em entrevista ao ‘Jornal de Negócios’, as OPA ganham-se com dinheiro. E este jurista prestigiado sabe do que fala. É o presidente da assembleia geral da PT e acompanhou o BCP quando lançou a OPA sobre o Banco Português do Atlântico.
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