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Correio da Manhã

Opinião
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Piloto morre em corrida de motos no Estoril

Armando Esteves Pereira

Impunes e sem vergonha

A divulgação pública tem sido a única sanção para os responsáveis pelos escândalos revelados.

Armando Esteves Pereira(armandoestevespereira@cmjornal.pt) 21 de Janeiro de 2007 às 00:00
Os relatórios do Tribunal de Contas transformaram-se em leitura obrigatória. São a denúncia factual de casos de abuso do dinheiro dos contribuintes. Mas às vezes os factos frios são tão obscenos que um leitor desprevenido pode julgar estar a ler um relato extraordinário e mirabolante do uso dos dinheiros públicos numa República das Bananas. Infelizmente, até agora a única sanção para os prevaricadores apontados nestes relatórios tem sido as notícias publicadas.
Passados alguns dias, os escândalos apontados são esquecidos e quase nada se aprendeu. A nova lei do Tribunal de Contas, já em vigor desde o Verão passado, dá mais poderes à instituição liderada por Oliveira Martins para sancionar os infractores. E espera-se que esta legislação possa acabar com o estado de impunidade em que a culpa dos poderosos morre sempre solteira.
Quanto ao último relatório sobre de gestão de empresas públicas, além de confirmar o que já se sabia sobre a maioria dos gestores públicos receberem um salário muito superior aos dos ministros e secretários de Estado a quem têm de prestar contas, revela o absurdo pagamento de 5,1 milhões de euros de indemnizações por cessão antecipada de contrato a gestores públicos. Só na Caixa Geral de Depósitos a mudança antecipada custou 4,2 milhões de euros.
GRANDES PROTAGONISTAS
A OPA da Sonaecom sobre a PT entrou na fase final. Em Março se saberá o desfecho final deste processo . E no meio deste caso emergem duas grandes figuras da economia portuguesa. A disputa de argumentos entre Belmiro de Azevedo e Henrique Granadeiro, cada um a defender o seu lado, tem sido um combate interessante de seguir.
Num País que considera as pessoas com mais de 50 anos descartáveis do mundo do trabalho, os exemplos de Belmiro, que daqui a um mês fará 69 anos, e Henrique Granadeiro, com 64, mostram que muitas empresas têm desperdiçado capital humano com a saída de muitos quadros válidos, só porque o BI diz que nasceram há mais de cinco décadas.
O patrão da Sonae já anunciou a sua saída dos cargos executivos e depois da OPA se saberá qual dos quatro vice-presidentes o substituirá na liderança. Belmiro transformou a Sonae num império, construiu uma cultura de excelência e por isso o grupo tem dos melhores quadros empresariais do País. Mas o seu filho do meio, Paulo Azevedo, já mostrou ser um sucessor natural. E mais tarde ou mais cedo será presidente executivo do maior grupo empresarial nacional, que em alguns negócios tem um cariz multinacional.
CHOQUE ELÉCTRICO
A imagem do Governo saiu chamuscada das declarações do ex-presidente da ERSE no Parlamento. Jorge Vasconcelos disse que “era óbvio que um aumento tarifário de dois dígitos era inevitável em 2007 a menos que houvesse uma redução dos custos”. Vasconcelos garantiu que, mesmo após ter anunciado as tarifas para 2007, que implicava um aumento de 15,7 %, conversou com o Governo para “encontrar soluções construtivas”.
Segundo o ex-responsável da autoridade do sector energético, o Governo fez orelhas moucas à sugestão e preferiu a solução de impor limites administrativos. Se isso de facto aconteceu o Governo actuou mal. E no meio disto tudo ainda não está devidamente explicado como é que se acumula um défice energético de 800 milhões de euros, com as empresas do sector a obterem recordes de lucros.
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