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Correio da Manhã

Opinião
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20 de Fevereiro de 2010 às 00:30

Não me surpreenderá se muito mais vier a saber-se sobre como se faz política em Portugal e sobre jogos de bastidores e manobras conspirativas, bem como sobre as cumplicidades entre detentores do Poder e accionistas de empresas que permitem a instrumentalização das mesmas em nome da viabilização de negócios.

O que impressiona é o facto de muita gente nem querer dar-se ao trabalho de tentar perceber a dependência em que se coloca e a fragilidade em que tal se traduz. Ver o nome da PT envolvido nas embrulhadas vindas a lume é um sinal da degenerescência que percorre a sociedade portuguesa e só traz motivos acrescidos de desânimo a quem vive neste rectângulo habituado a sofrer mas que cada vez mais se assemelha a um condenado a caminhar para o cadafalso, incapaz de sobreviver a tão dramática e crónica impotência para descobrir soluções e limpar a porcaria. A agitação social que regressa às ruas assume contornos de normalidade perante a inoperância de um modelo económico assente na visão intervencionista do Estado, mesmo quando disfarçada.

Os protestos dos funcionários públicos não deixarão de ouvir-se e a legião de desempregados não diminuirá, de nada servindo retóricas demagógicas para disfarçar o problema. Está a ser um ano difícil mas o seguinte não apresenta melhores perspectivas. Adivinha--se até ainda mais rigoroso em função das necessidades de controlo do descalabro das contas públicas... Este pesadelo em que o País caiu acentua-se no clima pantanoso que hoje parece tudo envolver. Referências essenciais para um cidadão acreditar nos valores da democracia e na capacidade do sistema político esboroam-se, de forma escancarada, nos jornais e na TV.

Primeiro-ministro, PGR, políticos e gestores de empresas públicas ou em que o Estado tem participação não são os esteios de outros tempos e surgem aos olhos da opinião pública enormemente vulnerabilizados. A mentira saltita e o encobrimento de actos suspeitos prospera. Esta não foi, de facto, uma semana para boas notícias. Até voltámos a ter o primeiro--ministro, tipo actor sem talento, a tentar convencer o País, outra vez, da bondade que o anima e da inocência que o cobre. O nome de Luís Figo também já está no lamaçal. Que mais irá acontecer?

SOLTAS

ANTÓNIO COSTA E JARDIM, A MESMA LUTA

Não é só a Madeira que tem de enfrentar sérios problemas de endividamento. A Câmara Municipal de Lisboa acabou de revelar que a sua dívida aumentou 72 milhões de um ano para o outro. Um dia destes ainda vemos António Costa, de mãos dadas com Jardim, a reclamar compreensão do Governo.

JESUALDO FERREIRA TEM RAZÕES PARA SORRIR

O FC Porto conseguiu um excelente resultado frente ao Arsenal. Não interessa a forma como os golos foram obtidos. O certo é que os portistas vão a Inglaterra em vantagem e dependendo só de si mesmos. Depois dos insucessos no Campeonato, Jesualdo tem razões para sorrir.

A ILHA DE ARTURO

Às minhas mãos veio parar ‘A Ilha de Arturo’, de Elsa Morante. Criatividade, sensibilidade e escrita muito bem ligadas num livro que não se limita a mastigar horas do nosso tempo. Preciso de ler ‘Aracoeli’, o seu último livro, galardoado com o Prémio Médicis, em 1984, um ano antes de morrer. 

NOTAS (Escala de 0 a 20)

16 - JOÃO VALE DE ALMEIDA

Está de parabéns pela nomeação como embaixador da UE em Was-hington. É o português mais sénior de toda a eurocracia e homem muito ligado a Durão Barroso.

8 - PINTO MONTEIRO

O PGR não tem remédio. As más notas persistem. As suas justificações para rejeitar a abertura de um inquérito a propósito das escutas do ‘Face Oculta’ só a ele convencem.

7 - MÁRIO LINO

Patéticas as declarações tentando fazer o País acreditar no seu desconhecimento quanto ao abortado negócio PT/Media Capital, no ano passado. Nariz de Pinóquio...

4  - RUI PEDRO SOARES

Ser desajeitado é mau. Quando se é um desajeitado ‘boy’ ainda pior. Há muito que devia ter saído da Administração da PT. Melhor: não se compreende é como lá foi parar. Perdão: percebe-se! 

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