Barra Cofina

Correio da Manhã

Opinião
Piloto morre em corrida de motos no Estoril

Francisco J. Gonçalves

Injustiças de morte

Os comentários de algumas pessoas sobre as desigualdades que a actual crise só está a acentuar fazem-me lembrar uma história antiga. Tinha uns sete anos quando, em conversa com o meu pai, ouvi um vizinho mostrar indignação com qualquer coisa. Não recordo do que se tratava, mas nunca esqueci a frase que disparou, em jeito de remate de conversa: "O que vale é que os ricos também morrem!"

Francisco J. Gonçalves 7 de Março de 2012 às 01:00

Muitos anos volvidos, adivinhei que a conversa deveria versar sobre as injustiças que todos conhecemos. Mas ao depositar esperanças nessa vingativa justiça final, o vizinho do meu pai, sem o saber, mostrou um optimismo algo cândido – e se ainda fosse vivo talvez morresse de desespero.

É que, segundo estudos recentes, os ricos vivem mais que os pobres (grupo que hoje inclui boa parte da ainda teimosamente designada classe média). Pior ainda, a diferença de longevidade pode atingir a ‘escandalosa’ barreira de dez anos e está a aumentar.

Estudos destes não ajudam nada os invejosos, pois levam a concluir que se a morte a todos iguala, a verdade é que até no momento derradeiro existe a suprema injustiça de os privilegiados deste mundo serem ‘igualados’ bem mais tarde... no outro.

Ver comentários
Newsletter Diária Resumo das principais notícias do dia, de Portugal e do Mundo. (Enviada diariamente, às 9h e às 18h)