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Correio da Manhã

Opinião
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27 de Abril de 2003 às 00:00
A inovação de Sampaio. Aparentemente a iniciativa do Presidente da República em incentivar a inovação não passaria de uma ideia digna da tradição do senhor de La Palisse, porque é óbvio que as empresas não conseguem sobreviver a longo prazo sem inovação. Mas atendendo à triste realidade deste País, os apelos de Sampaio e alguns dos bons exemplos promovidos durante esta Presidência Aberta são uma ‘lufada de ar fresco’ num período em que domina a depressão económica. Merece elogio o magistério de influência presidencial, que pode obrigar os empresários a reflectir sobre as suas empresas, as universidades a aproximar-se do ‘tecido produtivo’ e a administração pública a deixar de ter um papel de travão à iniciativa e a ser um parceiro proactivo no desenvolvimento dos negócios da iniciativa privada. Mas é de temer que após os discursos bonitos, volte tudo a ser esquecido e que a palavra inovação fique apenas como uma figura de retórica, a que se recorre nos discursos oficiais de cerimónias solenes e se esqueça na prática diária. É de temer também que a palavra fique associada unicamente às novas tecnologias, o que é um erro, porque há medidas de inovação que pouco têm a ver com os computadores e que passam por exemplo, por novos métodos de gestão, melhoria do marketing, apresentação dos produtos, etc
Faltam exemplos . Numa entrevista ao Correio da Manhã, o empresário Henrique Neto, líder da Ibermoldes, uma empresa visitada pelo presidente e que é uma referência mundial no seu sector, disse que faltam casos de sucesso de empresas portuguesas no mercado internacional. Acrescentou que temos sucesso no que respeita a cientistas que são bem sucedidos no exterior a nível profissional, mas falta ter sucesso com produtos nacionais. Henrique Neto sublinha também que é preciso fazer a promoção internacional da inovação portuguesa, porque até fazemos produtos interessantes, só que depois não os sabemos vender. Henrique Neto acrescentou que além de serem poucas as empresas a apostar na inovação, muitas das grandes empresas não o fazem e são essas que têm um grande impacto na economia.
Questões de ética. Inovar é também ter uma nova perspectiva em relação à empresa. Infelizmente uma parte significativa dos empresários não se preocupa com o desenvolvimento da empresa. Em vez de investirem parte do dinheiro gerado, preferem gastar nas mansões, nos carros de luxo e até na joalharia que oferecem às amantes. Suspeito mesmo que alguns só não rivalizam com o filho de Sadam na colecção de automóveis de luxo, porque não têm dinheiro para isso. Provavelmente, se Max Weber, um pioneiro da sociologia, conhecesse este quadro, diria que lhes falta uma ética capitalista. Ter uma visão de ética empresarial, também seria uma inovação desejável.
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