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Correio da Manhã

Opinião
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1 de Junho de 2004 às 00:00
Não sei se é da obsessão do défice, se da crise, do desemprego ou dos impostos, que o doutor Durão nos tinha prometido descer e não param de subir. Sei é que os portugueses andam stressados, impacientes, irritados e com os nervos em franja.
A história de que andamos todos com o ego e a auto-estima em baixo já não pega, que isso era antes da vitória do Benfica na Taça de Portugal. O facto é que o ‘Diário das Sessões’ da AR regista nas últimas semanas um número recorde de agravos e insultos entre deputados e entre estes e os ministros, e estamos na mais alta e nobre instância política do País.
A circunspecta ministra das Finanças, por exemplo, destratou gravemente um deputado socialista de apelido Carneiro (ou será Cabrita?), dizendo que era “ignorante” e “não merecia” o dinheiro que ganhava, só porque o homem lhe fez duas vezes a mesma pergunta sobre o ordenado escandaloso que o Fisco paga a um ex-gestor do BCP.
O doutor Carvalhas chamou “cobarde” ao doutor Durão, que, por sua vez tinha dito que o Governo responsabilizaria o PCP por qualquer falha de segurança grave (bombas, gás Sarin, pó de Antrax?) que ocorresse durante o Euro’2004. Mas a onda de agravos generaliza-se e não pressagia nada de bom.
O dr. Isaltino ressuscitou e veio chamar “extraterrestre” ao ex-ministro Theias, o sr. L.F. Vieira, um homem aparentemente pacífico, invadiu os estúdios da SIC com um programa no ar e “partiu a loiça” aos comentadores-residentes, o sr. Mourinho, na hora do triunfo não comemorou e bateu com a porta, insinuando que “aconteceram coisas graves”.
E aos 34 anos, o Vítor Baía, já depois de publicada a lista de Scolari, foi para o Madaíl e disse-lhe: “Ainda um dia me hão-de explicar uma das maiores vergonhas (sic) do futebol português”. Digam-me lá se isto não está a ficar perigoso!l
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