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Correio da Manhã

Opinião
24 de Junho de 2004 às 00:00
O Euro’2004 está a ser um grande sucesso. Visto por biliões de espectadores à escala planetária deu uma nova dimensão à imagem de Portugal.
Um pequeno País, desconhecido para muitos, aparece com uma identidade forte e com uma imagem de modernidade.
Tudo tem corrido bem. Os estádios, espectaculares, têm propiciado segurança e conforto.
Os visitantes, de variadas origens, descobriram um povo acolhedor e doce que os inunda de atenções.
A tranquilidade pública tem sido assegurada por forças policiais serenas mas firmes.
Os espectáculos têm sido de bom nível, emotivos, muito acima do que aconteceu no último Mundial da Coreia/Japão.
Para somar a pitada de sal que torna tudo ainda mais agradável, a carreira de Portugal já atingiu o mínimo honroso: a passagem aos quartos-de-final e ainda por cima à custa dos nossos sobranceiros vizinhos.
Hoje, uma eventual vitória sobre a Inglaterra terá um duplo condão. Acabar com os desacatos nas ruas de Albufeira e exacerbar o patriotismo saudável que explodiu um pouco por todo o território nacional. Eu sei quanto isso incomoda certos pseudo-intelectuais, incapazes de o entender, principalmente quando ele é mais evidente nos bairros mais populares. Os portugueses mostram assim que, mesmo no meio de uma crise, têm orgulho em ser quem são e acreditam num futuro melhor. Procuram alimentar a tal auto-estima de que tanto se fala e de que todos carecemos.
Como em qualquer outro sucesso colectivo, este também tem rostos que merecem elogio. Na área desportiva Gilberto Madaíl, o mal amado Presidente da FPF Com ele Portugal chegou a três fases finais de Campeonatos da Europa e a uma do Campeonato do Mundo, venceu múltiplos campeonatos nos escalões mais jovens e vai às Olimpíadas de Atenas. Pelo meio conseguiu trazer este Euro’2004 para Portugal. Só!
Na área do poder político, Arnaut é incontornável. Há 15 dias responsabilizei-o pela derrota nas eleições europeias. Obviamente, já que foi o secretário-geral omisso de dois anos de autismo partidário. É pois com essa autoridade que saliento a cara que tem estado em todas, capitalizando a favor do Governo tudo o que de positivo tem acontecido. Se desmazelou o partido para hoje “facturar” estes resultados governativos, está perdoado!
Perdedores também os há. Todos os que foram primariamente contra o Euro. Os que afirmaram que se tivessem sido poder nunca o haviam assumido, os que não perceberam que era preciso “vender” os Jerónimos, o Mosteiro da Batalha e a Torre dos Clérigos, para pagar uma campanha que promovesse, como esta, o nome de Portugal.
Entre eles está um colega de partido, Pacheco Pereira, que nunca ganhou nada, mas que, ainda há dias, afirmou num canal de televisão que me trocava por um socialista qualquer. Eu não o trocava, eu dava-o de borla. O primeiro-ministro também concorda comigo. Vai pagar-lhe dez mil euros por mês para o manter longe da intriga de que tanto gosta. Em Paris, longe do coração e da vista.
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