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Correio da Manhã

Opinião
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19 de Julho de 2007 às 09:00
António Costa venceu as eleições autárquicas intercalares e é o legítimo presidente da Câmara Municipal de Lisboa. Tratou-se de um êxito pessoal, mas que consubstancia uma vitória muito amarga para o PS.
Porque em Lisboa residem dos eleitores mais informados e politizados do País, que naturalmente dão sempre um cunho nacional às suas opções eleitorais. Porque António Costa, sendo o número dois do Governo, reforçava essa vertente nacional. Porque a campanha se debruçou sobre muitas temáticas eminentemente governativas, com particular evidência para o debate sobre a localização do novo aeroporto.
Porque assim foi, é surpreendente que somente um em cada dez cidadãos eleitores da capital tenha votado PS! Nove em cada dez eleitores abstiveram-se ou votaram em outras candidaturas!
Com exemplar coincidência, o quadro de resultados replicou, com exactidão, aquilo que sucessivos estudos de opinião têm retratado da presente realidade político-eleitoral: há um grande descontentamento e desencanto em relação ao Governo, mas esse sentimento não se plasma no apoio ao maior partido da oposição.
Esta realidade não deixa de ser uma grande janela de oportunidade para o PSD. O PSD teve um resultado muito negativo, um único votante por cada vinte eleitores. Contudo, o somatório dos votantes do PSD com os de Carmona Rodrigues ultrapassaria a votação obtida pelo PS. Mas é nos seis em cada dez cidadãos que não votaram que reside a grande margem de possibilidade de crescimento do PSD.
Um PSD que seja constante no combate político, que assuma a sua genuinidade social-democrata, tem muitas possibilidades de vencer em 2009.
Os portugueses que acham injusto pagar impostos e depois ter de pagar pesadas taxas moderadoras para ter acesso à educação e à saúde, os notários empurrados enganosamente para um regime privado, os magistrados e professores apelidados pelo Governo de preguiçosos, os funcionários públicos perseguidos e intimidados, são uma parte substancial do grande exército de cidadania descontente, que pode engrossar a votação, em 2009, no PSD.
Para isso, é preciso que o PSD se assuma como uma verdadeira alternativa, com propostas diferenciadoras e reformadores, com coragem e com uma aposta no reforço de medidas de carácter social.
Os portugueses lembram-se bem das promessas do Governo de não subir impostos, de não portajar as novas Scut, de não retirar direitos aos pensionistas e reformados. É preciso um PSD que diga que o PS não cumpriu o que prometeu e que quem assim engana os portugueses não merece governar.
O PSD, com as eleições directas de Setembro, tem a possibilidade de se regenerar e de estar preparado para iniciar um percurso seguro de regresso ao poder. Para governar com verdade.
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