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Correio da Manhã

Opinião
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1 de Junho de 2007 às 09:00
Sócrates foi a Moscovo fazer jogging na Praça Vermelha. A única actividade em que tem incontestado reconhecimento internacional. Para a fotografia e mais tarde se rir com os netinhos. Os seus assessores já o sossegaram. Tornar-se uma atracção circense internacional com tournées prometidas para todas as capitais mundiais não o diminui, nem ao País. É só mais um popularucho item para o seu tão vasto currículo. Obtido, inquestionavelmente, com esforço e algum suor.
O nosso 1.º não tem mão no seu Governo nem nas petulantes girls e boys do seu partido. Mas de ténis e em calções é mesmo bom. Veja-se a profusão de fotografias nos jornais da parvónia. Mas não exageremos. Estes pecadilhos nem sequer requerem penitência para serem perdoados. E Sócrates não andou só às voltas ao Kremlin.
No dia em que a Rússia testou, com êxito, o seu novo míssil intercontinental ‘RS-24’ ouviu Putin pôr os pontos nos is e dizer que quanto a Direitos Humanos não é pior nem melhor do que europeus e americanos. É igual, na sua diferença. E tem razão. Porque no que diz respeito ao desprezo pelos direitos e liberdades fundamentais, sobre os quais os líderes ocidentais falham quando menos se espera, só os métodos é que variam. E Putin, com longa formação nas escolas do KGB, sabe do que fala. Sócrates, fingindo que a eliminação na Rússia, de adversários incómodos, por métodos clássicos, ou por sofisticado envenenamento radioactivo, não passou de um reality show holandês de mau gosto, certificou, com as suas reticências, a confissão e a denúncia do líder russo. Foi prudente. Tem memórias frescas no que diz respeito à perseguição por delito de opinião, servida também de forma particularmente venenosa, e meteu a viola no saco e voltou satisfeito. Para ele não há mistela que lhe perturbe a digestão. Venha ela dos seus inimigos ou de qualquer dos seus mais desbocados ministros ou das suas tresloucadas girls. Ou de Putin. É um estômago de ferro. Tudo digere enquanto o diabo esfrega um olho. Sem dores de cabeça, sem alterações do ritmo cardíaco ou de trânsito intestinal.
Sosseguemos. O segredo do seu sucesso resume-se ao pendor sadomasoquista dos portugueses. E dele próprio.
2. No nosso tribunal supremo discutiram-se os malefícios e as virtudes da erecção dos abusados sexualmente. De agora em diante o único cuidado de molestadores de menores e de violadores é garantir que as suas vítimas sejam capazes de uma resposta fisiológica.
A erecção das vítimas, embora não prevista no Código Penal, tem, afinal, virtudes insuspeitadas. Reduz as penas dos abusadores. Por este andar não tardaremos a ver os violadores a serem louvados e as violadas a terem de agradecer aos violadores se, por qualquer inimaginável razão biofisiológica inesperada (possível nas mais bizarras situações), a violada, no meio da agressão, tiver um orgasmo ou qualquer reacção aparentada.
Quando os tribunais se mostram incapazes de compreender que a interpretação e aplicação da lei não podem ser feitas contrariando o sentir profundo e inequívoco das populações, não estamos perante erros judiciários. Debatemo-nos com uma verdadeira catástrofe. Porque se podemos dar-nos ao luxo de sofrer as agressões dos maus políticos, ficaremos gravemente debilitados sem bons tribunais.
“Elementar, meu caro Watson”.
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