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Correio da Manhã

Opinião
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7 de Dezembro de 2004 às 00:00
1.Belo campeonato. Tudo colado na frente, 3 pontos de diferença entre o líder e o 6.º classificado. Cinco pontos de diferença entre o líder e o 8.º classificado. Nunca um comandante tinha perdido tantos pontos à 13.ª jornada. Em suma, nunca tivemos um campeonato tão renhido, tão emocionante, tão pouco previsível.
Pouco importa a causa: que este insólito nivelamento seja “por baixo” (demérito dos grandes) e não “por alto” (mérito dos outros) é coisa que passa ao lado da maioria dos adeptos não facciosos. No fundo, é um bocadinho das duas coisas e esta, aliás, é uma discussão estéril, porque na prática os pontos contam o mesmo e vai haver um campeão tão legítimo como todos os outros anteriores. Aqui o futebol leva a palma à política – a confusão está instalada, andam todos aos tropeções, não há um líder claro e firme, no fundo é um desgoverno... mas pelo menos temos a certeza de que o PR não vai dissolver a SuperLiga. Nunca o campeonato foi tão equilibrado, tão cheio de surpresas e tão... divertido. Largos dias de emoção. “Há quanto tempo desejávamos um campeonato assim?”, perguntava ontem o António Magalhães no ‘Record’. Desde sempre, António, tens toda a razão. E agora que está a acontecer (por boas ou más razões, não interessa) não vamos queixar-nos da vidinha e dizer que o campeonato inglês é que é bom porque há muitos candidatos e só há campeão na última jornada, certo?
2. O Apito Dourado continua a fazer estragos. Três ou quatro notas: Pinto da Costa juntou-se a Pimenta Machado (este, por outros motivos), Valentim Loureiro e Pinto de Sousa na lista dos ‘homens do futebol’ a contas com a Justiça. Sobre todos eles impendem acusações muito graves. São todos inocentes até prova em contrário, mas não deixa de ser uma coincidência perturbante que os três presidentes mais ‘históricos’ do futebol português e o sempre tão gabado ‘papa’ da arbitragem estejam a braços com acusações tão desprestigiantes do ponto de vista pessoal e institucional. Há mais de um ano, Dias da Cunha acusou publicamente Valentim Loureiro e Pinto da Costa de serem os “rostos do sistema”; Pinto da Costa ripostou que ele, Dias da Cunha, “sabia do que falava”. Ironias.
Última nota: o Apito Dourado continua a soprar a Norte, ou com epicentro a Norte. Sempre a Norte. É um facto.
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