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Correio da Manhã

Opinião
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27 de Janeiro de 2011 às 00:30

OPovo Português, nestas eleições, pelo Voto e pela Abstenção, deu lições a interpretar e a sublinhar. Comecemos pela abstenção, embora não tão elevada como muitos referem (700 mil nomes a mais nos cadernos eleitorais fazem-na descer 4% e também Jorge Sampaio perdeu 600 mil votos na reeleição contra os 500 mil de Cavaco Silva).

As razões serão muitas: condições climatéricas, caos administrativo, em parte, mas o que não podemos escamotear é o acentuar do divórcio entre cidadãos e política, de eleição para eleição. O desinteresse pela ‘coisa pública’ é preocupante para os que acreditam que a Democracia, com todos os seus defeitos, é a forma mais justa, menos arbitrária, de gerir um Povo.

Com o desemprego galopante, com ordenados e pensões a diminuírem, com apoios sociais a desaparecerem, com os preços de todos os bens a subirem, a par duma desagregação na Saúde, na Educação, na Justiça, fácil é perceber a desmotivação.

Associem-se notícias diárias de gastos desnecessários, de esbanjamento do dinheiro que é de todos, de investimento sem retorno, de suspeitas graves de corrupção, de compadrios políticos na obtenção de cargos e benesses. E sem consequências: ninguém se demite; ninguém é demitido. Os cidadãos assistem, incrédulos, ao País a pedir todos os dias mais dinheiro emprestado e mais ainda para pagar a dívida e os respectivos juros. Todo este cruzar de braços deve-se, em muito, ao Governo. É preciso, urgentemente, requalificar a Democracia. A segunda lição foi a clara vitória do Professor Cavaco Silva. No quadro de abstenção descrito, a única intenção de todos os outros candidatos parecia ser obrigar Cavaco Silva a uma segunda volta e com a campanha negra contra a sua integridade, secundada, inclusive, por membros do Governo, ganhou à primeira volta.

Não enganaram os Portugueses: Cavaco Silva foi Ministro das Finanças, Primeiro-ministro, Presidente da República no último mandato e a sua vida foi exaustivamente escrutinada. A terceira foi a derrota de José Sócrates e de Francisco Louçã. O candidato que ambos apoiaram teve menos votos do que quando, há cinco anos, concorreu sozinho. E o líder do PSD foi pedagógico na sua intervenção: "A vitória do Professor Cavaco Silva em nada influencia as eleições legislativas, quando as houver." São coisas diferentes, com objectivos diferentes, com consequências diferentes e, parafraseando Wilde, até se escrevem de forma diferente.

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