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Correio da Manhã

Opinião
14 de Janeiro de 2007 às 00:00
Teve razão até 1961. Salazar foi o principal responsável, embora muito antes Portugal tivesse mostrado pouco respeito pelo feito de Albuquerque. A única estátua sua em Goa esteve à beira da destruição, mas acabou por ser salva pelo conde das Antas. A reinauguração foi descrita com pompa nos jornais da época: “Regularmente burilada a figura atlética, de rosto sereno e longas barbas, que lhe descem abaixo da boca do estômago, veste saio, couraça e ampla cota de armas”.
Mas, como ninguém reparou que a estátua ia deixar de estar encostada à parede, foi necessário encomendar uma nova à Academia de Belas Artes de Lisboa. Só que o processo foi tão moroso que o governador de então pediu a um artista local para reparar a primeira e inaugurou-a gritando: “Albuquerque terribil surge novo (...) em Nova Goa.”
Mas, no final, Afonso Albuquerque já não era terrível. Morreu magoado, o herói mais decisivo (a par de S. Francisco Xavier) para que Goa seja ainda hoje tão portuguesa – “mal com os homens por amor del-rei e mal com el-rei por amor dos homens”.
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